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LONDRES 2012, A MENSAGEM DIRETA E RASTEIRA. A cerimônia de abertura das Olímpiadas foi um evento enfadonho, cansativo e com recado claro ao Brasil.

A cerimônia de abertura dos jogos olímpicos de Londres ocorreu no dia 27/07 e muitos brasileiros nem se deram conta disso. Meio que passou batido o evento que é acompanhado geralmente com muito entusiasmo. Todavia, quem não viu, pouco ou nada perdeu. Restou mesmo frustração aos assistentes.

Estas cerimônias que trazem em si a expectativa de 4 anos de espera e o encanto do sonho do anfitrião em ter vencido a disputa para sediar o evento, por tradição trazem solenidades espetaculares, com efeitos extraordinários, verdadeiros espetáculos, com muita simbologia, expressividade, luxúria, enredo criativo e envolvente, de modo a dar ao mundo as boas vindas olímpicas.

Em Londres nada foi fabuloso. Uma cerimônia longa, sem graça, com uma tentativa clara de fazer uma estocada política, porém de um bairrismo medíocre, enaltecendo serviços públicos ingleses (porque o mundo se interessaria por isso, especificamente, numa abertura de evento olímpico?), além de engrandecer a Inglaterra como a nascente do mundo contemporâneo pela revolução industrial. De país campesino, como num toque mágico torna-se a nascente de um mundo industrial, consumindo todas as reservas ambientais e substituindo os espaços naturais por enormes e infinitas chaminés e que foram o lado mais glamoroso e cinematográfico da solenidade, com enormes torres expelindo fumaça avançando sobre toda área verde do território inglês.

Ao que parece até hoje se orgulham de terem devastado, seus recursos naturais e entupido o país com enormes charutos para queimá-los e dos países colonizados, de onde até hoje sugam matérias primas baratas, tanto que os mascotes olímpicos são duas gotas de aço (embora com linhas quadradas?) chamadas de Wenlock e Mandeville cujas referências carecem de muita explicação, ao que parece, inclusive, aos próprios ingleses.

Depois de todo tédio de uma cerimônia insonsa, com enredo água com açúcar dos piores filmes para adolescentes (a historinha era o encontro casual de dois adolescentes), vem o grande final. Sendo o Brasil o próximo anfitrião dos jogos olímpicos, depois de ter apresentada a devassidão ambiental do velho mundo e se orgulhar disso, os inglês tiveram a desfaçatez  de colocarem como elemento surpresa a Sra. Marina Silva (ela mesma!), brasileira que é vista no cenário internacional como a grande defensora das questões ambientais (não precisamente entre nós), para carregar, juntamente com outras estrelas mundiais de diversas nacionalidades, a panteão olímpico, como que nos avisando para a necessidade de preservar a natureza.

Tenham-me a santa paciência, Senhores lordes londrinos! Depois de tantas chaminés em plena cerimônia, de terem como orgulho nacional duas gotas quadriculadas de aço como mascotes olímpicos, virem dar lição subliminar ao Brasil, deixando a pista de como deveremos cuidar dos jogos de 1916 e dos interesses nacionais, atentos a questão ambiental?

Assumam, com outras nações tidas desenvolvidas, compromissos efetivos com a questão ambiental, participando dos tratados internacionais sobre o assunto. Aliás, ainda no mês de junho, na cúpula sobre a questão ambiental ocorrida no Rio de Janeiro, denominada Rio+20, a Inglaterra e outros países ditos desenvolvidos continuaram sendo os entraves (como sempre) para a edição de um documento mais auspicioso neste campo.

Ao que parece, a preservação do meio ambiente é tema para encher a boca de gringo, mas para ser cumprida em países periféricos.

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