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ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE (… Uns de carro, outros puxando carroça!)

Assim caminha a humanidade
(…uns de carro, outros puxando carroça!)

  • Aos catadores anônimos, apenas estorvos em nossas desculpas.

 

Ia um vagante puxando uma carroça
Com papéis, sacos plásticos, garrafas pet
E outros tantos restos que despejamos por aí.

Parei o carro. Interceptei-o. Abri o portamalas
E dei-lhe um fardo de jornais e revistas velhas,
No que fui agradecido com um sorriso sem dentes.

Respondi discretamente com um sorriso falso.
Livrei-me daquele estorvo e sai de peito inflado,
Sem culpa e com o sentimento de dever cumprido.

Assim caminha a humanidade: uns de carro;
outros puxando carroça! Uns produzindo lixo;
outros recolhendo restos e distribuindo sorrisos.

(Denival)

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REFLEXÕES. Do mundo ao avesso.

  • O gari diariamente limpa as ruas da cidade. Não de toda a cidade, porque quando volta para casa, situada nas regiões longínquas do centro, sem nenhuma visibilidade e reclamos que possam ser ouvidos pelas autoridades, encontra ruas empoeiradas, dejetos e esgotos a escorrem a céu aberto em valas sulcadas pela enxurrada, e a imundice de tanto lixo espalhado.
  • A baba não foi trabalhar, porque seu filho ardia em febre. Como não tinha como comunicar à patroa, o filho desta senhora ficou sem seu passeio matinal, enquanto a mãe perdeu seu horário na academia. Falha imperdoável que deve resultar em sanção adequada: demissão.
  • A cozinheira prepara o almoço regado a saborosas guloseimas. Dele não desfruta. Não que os padrões não permitam. É que sua consciência não concebe que se alimente enquanto tem dúvidas se em casa seus filhos, esquecidos forçadamente, estarão se alimentando.
  • O policial, mal remunerado, sobe o morro durante o dia fardado e de arma em punho. Ao final do seu turno de trabalho, esconde seus apetrechos de guerra e, quase secretamente, sobe novamente o morro para o descanso merecido em casa. Com a remuneração que tem, não há como morar noutra localidade. Para completar seu salário, alguns vão fazer uns bicos de segurança privada, por vezes para grandes contraventores.
  • O trânsito flui como a densidade do magma do vulcão: lento, quente, perigoso e a qualquer pretexto, incendiário. Enquanto isso a indústria automobilística, os agentes financeiros, o modelo de crescimento econômico desenhado pela globalização, continua a expelir veículos, créditos que individam ainda mais a já famigerada classe média, como o vulcão enfurecido a despejar lava, incontidamente.