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DIAS DO NÃO FICO. Ou, um não fico para ficar? (da série: Assim se fez história e algumas estórias mais!)

Os dias 24 e 25 de agosto poderiam ser fundidos numa única data para celebrar o dia do não fico. Ou, senão, tomar-se o mês de agosto, como um todo, para comemorar as datas dos abandonos, saídas, idas, renúncias, mesmo que se queira com estes atos o retorno. Talvez seja por isso que alguns preferem denominar agosto como o mês do cachorro louco, onde todos os juízos desestabilizam-se.
Foi no mês de agosto, precisamente no dia 24 de agosto de 1954, que Getúlio Vargas disse a si mesmo que não ficaria (neste mundo) e ao povo brasileiro que não permaneceria na vida pública. Pronto. Deu um tiro no peito. Porém, como próprio profetizara, entrou para a história não pelo ato suicida, mas como um líder político que instituiu um estilo próprio e peculiar de se fazer política e que, goste-se ou não, foi depois copiado por muitos.
Ainda neste mês, em 25/08/1961, Jânio Quadros disse que também não ficaria no cargo. E foi embora, deixando até hoje dúvidas, incertezas, suposições quanto às supostas forças ocultas que o teriam feito renunciar à Presidência da República. Talvez tivesse a pretensão, como fez Getúlio, de igualmente entrar para a história com um gesto inusitado. Não teve a apoteose do anterior, mas criou uma instabilidade política no país, pela não aceitação das forças oligárquicas, militares, religiosos, do imperialismo americano (seriam estas as forças ocultas), com o seu vice, Jango, que foi deposto por um golpe militar em 01 de abril de 1964 (…e a história deixa claro que não foi mentira!).
Jânio voltou muito tempo depois, na década de 1980 e findo o regime militar, como prefeito da cidade São Paulo, cargo muito menos expressivo. Não mais do que isso, embora a obscuridade de sua renúncia à Presidência da República não tenha sido de fato esclarecida por ele.
Collor de Melo preferiu (se aguentou até…) o mês de dezembro de 1992 (dia 29) para anunciar sua renúncia. Mas a esta altura dos acontecimentos disseram-lhe que o não fico não era mais dele, mas um bota fora do povo brasileiro e, como consequência, impunha-se-lhe uma abstinência de cargos políticos durante 8 (oito) anos.
Pois não é que cumpriu este período de carência e está aí de volta!
Têm outras personagens políticas que ficaram também pelo caminho, por “vontade” própria e acabaram de vez no ostracismo. Todavia, o que se tem como evidência é que mesmo quando se diz “não fico”, rigorosamente se quer ficar. De preferência com marco diferenciado e histórico.

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UMA VELA AO NAZISMO, OUTRA AO ANTINAZISMO. Uma perda inestimável; uma aliança política conveniente. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Embora distante do epicentro dos conflitos da II Guerra Mundial, centrados na Europa, Getúlio Vargas nutria simpatias tanto pelo nazismo como pelo fascismo de Mussolini da Itália, a ponto de buscar inspiração dos seus projetos de leis nos editos fascistas.  Exemplo disso é o Código de Processo Penal em vigor até os dias atuais (pleno século XXI, ano de 2011).

Olga Benário, judia, grávida, esposa de Luís Carlos Prestes, um comunista convicto e figura exponencial da esquerda brasileira, oposição dura e sistemática à ditadura getulista. Atendendo pedido do regime nazista, com o qual simpatizava, Getúlio mandou prender e extraditar Olga Benário para Alemanha. Mantida num campo de concentração, deu a luz a uma filha que foi entregue a avó materna. Então, nada mais restava. Foi executada em 1942.

Sentindo ruir o regime nazista, o governo de Getúlio (o mesmo que havia entregue Olga Benário aos nazistas), manda um batalhão expedicionário para combater no norte da Itália, assumindo uma posição política com os aliados, a mando dos EUA.

Terminada a II Guerra, e já no início da década de 1950, Luís Carlos Prestes, viúvo de Olga Benário e líder da esquerda brasileira, sobe no mesmo palanque de Getúlio Vargas (aquele que havia mandando a esposa de Prestes para os campos de concentração nazista e onde foi executada), para retomada do poder pela via do voto.

Já diziam outras raposas velhas que em política não se tem inimigos, mas adversários. Será que a regra vale também quando o “adversário” mata nossos entes queridos?