Arquivo da categoria: Série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!

A ÁGUA QUE ENCANTOU A ESQUADRA DE CABRAL. Eis a razão histórica para o uso irracional da água no Brasil. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!).

Pero Vaz de Caminha, ao escrever o primeiro documento em solo brasileiro, narra ao rei de Portugal as riquezas e belezas encontradas em terras tupiniquins, ressaltando com grande ênfase a exuberância das fontes d´água: “Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa [a terra] que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!”[1]

Desde então, gastamos água como se fossem “infinitas”, desprezando a realidade do nordeste brasileiro, cujo povoamento deu-se numa região sabidamente semiárida[2]. Mas as longas secas ali vividas nunca sensibilizou a comunidade política brasileira suficientemente para que houvesse uma solução. Muito ao contrário, o assunto sempre foi tratado como algo irremediável para o que o sertanejo, homem valente e calejado teria aprendido a lidar.

Isso, entretanto, sempre foi um tremendo engodo e que serviu para sustentar não só a renegação de políticas públicas, como a oportunidade de surgimento dos heróis dos sertões, como os velhos beatos e cangaceiros[3]. Pior é o heroísmo disfarçado do personagem presente, a figura dos coronéis (grandes proprietários rurais nessa região, para os quais os dramas da seca são menos sentidos), com poder político e demagogia de sobra para promessas infundadas, alguns açudes e cacimbas, um caminha pipa de água e umas cisternas, alguns trocados e um prato de comida, para o contentamento dessa gente sofrida que nunca perdia a crença em dias melhores, mesmo que tivessem que buscar a guarida desses exploradores de suas boas-fés e de suas misérias.

Boas soluções para preservar a dependência e a miserabilidade que forçou um grande ciclo migratório. Nisso a seca sempre foi uma aliada bastante útil, para espantar o pequeno proprietário, sem condições de se fixar e manter. Na emergência e desespero acabava por dispor de sua pequena posse ou propriedade por valores irrisórios, quando não abandonada para a grilagem do afoito latifundiário vizinho.

Nesse cenário de desolação, muitos daqueles caboclos sofridos do sertão que ainda sonhavam com a possibilidade de uma existência melhor subiam nos paus-de-arara (caminhões para transportes de pessoas, em condições sub-humanas), quando não se animava ou as condições não permitiam sequer bancar os custos das viagens, rumavam mesmo a pé, na esperança de alcançar os grandes centros urbanos do país[4], especialmente para São Paulo, com a ilusão de encontrar o Éden.

Esses migrantes da seca fizeram crescer a economia do sudeste, sobretudo da cidade de São Paulo, por mais que discriminados em razão de suas origens, seu modo de falar, suas formações e baixa qualificação profissional que só lhes rendiam as atividades mais pesadas, aviltantes e de baixos rendimentos.

Mas o conto de Caminha expirou. A crise hídrica se abateu sobre a região sudeste e agora há um despertar político para a gravidade e calamidade da situação de escassez.

[1] CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA. Biblioteca Virtual de Literatura. http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/perovazcaminha/carta.htm. Pesquisa em 10/02/2015.

[2] O problema da seca no nordeste é histórico. Conforme trabalho publicado por Virgínia de Alc6antara Silva e outras, na revista eletrônica da UERJ, nos últimos 500 anos, a região nordeste do Brasil enfrentou vários períodos de secas. Os períodos mais graves de suas ocorrências: 1692/1693; 1723/1727; 1744/1745; 1776/1778; 1808/1809; 1824/1825; 1877/1879; 1888/1889; 1903/1904; 1914/1915/1903/1904; 1914/1915; 1919/1921; 1970; 1979/1984; 1988. (SILVA, Virgínia de Alcântara et al. O desastre seca no nordeste brasileiro. UERJ: Polêmica Revista Eletrônica, v 12, n° 2, 2013. In: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/6431/4857. Pesquisa em 10/02/2015.)

[3] Não são lendas, mas pela saga que empreenderam, em momentos distintos, Antônio Conselheiro e Lampião, transformaram em verdadeiros heróis dos sertões sendo imortalizados em obras literárias e no cinema. Em ambos os enredos a questão da seca e suas consequências para o povo nordestino é muito explorado e destacado, inclusive como fator de resistência e luta.

Antônio Conselheiro foi um beato que conseguiu formar a comunidade de Canudos no interior da Bahia na década de 1890. Com ideias revolucionárias incomodou muito o poder central, sendo alvo das forças de segurança do Estado. Como não se rendeu ao cerco a Canudos, enfrentou com seus seguidores uma longa batalha com o exército brasileiro e que teve completamente dizimado o povoamento e morte de seu líder, num confronto que durou entre os anos de 1896/1897.

Lampião formou um bando que variava entre 30 e 100 membros que passou a atacar e roubar fazendas no sertão nordestino, entre os anos de 1918 a 1938. Agia com um Robin Hood a brasileira, assaltando as propriedades rurais e comerciantes para depois distribuir parte do produto dos roubos com os mais pobres. Isso lhe deu o apelido de Rei do Cangaço e verdadeiro herói dos desvalidos. A caçada a Lampião e seu grupo foi uma verdadeira odisseia, até ser encurralada por tropas oficiais no interior de Sergipe no ano de 1938, sendo morto.

[4] Em Vidas Secas, obra de ficção de um dos maiores romancistas brasileiros, Graciliano Ramos com enorme percepção condizente com uma fidedigna descrição da realidade do retirante nordestino, reproduz a saga dos migrantes nordestinos em seus corpos esquálidos rumando em direção aos grandes centros no sul do país, na esperança de vida melhor. Numa das passagens do livro o autor descreve que os personagens “andavam para o Sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes.”(vide: RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. São Paulo: Record, 1996.)

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ATÉ QUE PONTO NAPOLEÃO CONTRIBUIU PARA O GERME DA CORRUPÇÃO NO BRASIL! Da colônia à copa, séculos e séculos de ilusões e assaques. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Enquanto Napoleão saqueava a Europa, D. João VI e toda a Corte portuguesa veio atracar no Brasil, fugindo de casa pela impossibilidade de resistir ao inevitável jugo do ditador francês.

Todavia a viagem foi produtiva. Com a Corte em terra brasilis desvelaram-se todas as oportunidades reais, sem licitações, Tribunais de Contas, oposição no Parlamento, imprensa livre, etc. (como se essa estrutura inibisse ações de malfeitores!).

Ah, os saqueadores portugueses, e os aqui já viventes, deliciaram com ideia porque viram a oportunidade de estarem direto à fonte para embolsarem com maior gula os tesouros brasileiros e destroçarem o patrimônio da grande colônia provedora. Era como se aqui fosse uma enorme mina abundante e inesgotável, sem peias a coibir a sanha avassaladora.
Enquanto isso o povo brasileiro vivia a ilusão de que a colônia tornara-se a cabeça do Império português, onde os larápios apoderavam de toda riqueza e subtraíam nossa fortuna e sonhos. Ilusões que se repetem até hoje, quando muitos acreditam, engrupidos por um poder midiático fantástico e patrocinado, claro, pelos piratas assacadores, de que com a Copa do Mundo 2014 seremos, ao menos durante o período de dois meses (junho e julho), o centro do planeta.

Como agora, em que nossa soberania é negada uma vez que a Corte atual aceita imposições e exigências de entidades privadas, a realeza portuguesa e seus apadrinhados, alimentou com fartas guarnições, diante de uma população miserável e famélica, ao custo do esforço e sacrifício destes últimos. Em compensação deixou plantada a burocracia (ou falta dela quando os interesses das vilanias são obstaculizados), a fanfarrice dos nobres, e o culto de que o Brasil é a terra do futebol (- …É, mas no Brasil colonial não tinha sequer o futebol? – Serve carnaval? – Também não tinha! – Mas agora tem ambos. De qualquer modo, a ideia de que o Brasil é um país radiante, pacífico, e vive uma extrema alegria, ou que compraz com qualquer outra coisa que não seja exatamente séria.)

Conta-se, inclusive, que a corrupção, endêmica por estas paragens, foi instalada naquele momento. De fato, em Pindorama não se falava em corrupção!
A proximidade da Corte e de toda nobreza portuguesa, propiciou a voracidade de uma grande corja de aliciadores e aliciados, para vender, servir, produzir, a custos continentais, os caprichos do Paço Real e de outros palácios imperiais no Brasil.

Com a derrota de Napoleão a Corte e seus piratas retornaram a Portugal, com suas burras (que de asininos apenas a força para suportar tanto peso) entupidas. Não por esquecimento, mas por vontade, deixaram no Brasil não só o germe da corrupção como muitos filhotes de corruptos e corruptores, altivos, sadios e prontos para reproduzir por gerações. O que de fato fizeram muito bem.

De festas em festas, de epopeias e eventos, de ilusões e engodos, de promessas e demagogias, de assaques e achincalhes, de tudo que deixa a população à mercê dos louros de um país gigante pela própria natureza, seguiu a nossa história.

E como na história tudo passa, salvo os malefícios endêmicos, passou a Coroa portuguesa. A copa passará. O legado são as pendências financeiras e os impactos sociais. Alguns (talvez se possa contar), nativos ou não, e que se postam nos holofotes para as imagens complacentes ao deleite da grande massa arrefecida, saíram (e sairão) muito mais ricos, com ares ainda de que terão contribuído para o desenvolvimento econômico do país.


O TIRO (OU A BOMBA) QUE SAIU PELA CULATRA. O caso da bomba no Rio Centro marcou em definitivo a derrocada do regime ditatorial e acelerou o processo de transição democrática, ainda que negociado.

No golpe de 1964 os militares não gastaram bombas. Tomaram o poder valendo-se do poderia bélico e do temor que isso representa, mas não precisaram gastar munição. Adotaram a tática agressiva com prisões, perseguições, torturas, ameaças, tudo antes que os “insurgentes” pudessem criar uma força compatível de resistência. Tiros, somente com armas de menor calibre (se é que pode dizer menor calibre armamentos feito fuzil), eliminando de modo secreto e esporádico os opositores mais contundentes. Mesmo assim as ações severas da repressão do regime ditatorial foram feitas na surdina, longe dos holofotes, como se eles sim, agissem na clandestinidade (embora em nome do regime e sob sua custódia).

O fato é que bombas, bombas mesmo, não foram usadas, até porque não tinham adversários belicamente organizados que impusessem medidas mais extremas. Para os resistentes, nada como um destacamento militar para dizimar sem que a sociedade e suas gerações futuras pudessem conhecer a verdadeira história, como ocorreu na guerrilha do Araguaia e que agora, com a Comissão da Verdade, renova-se a expectativa de passar a limpo.

Porém, dezessete anos depois de instalado o regime ditatorial, uma bomba explodiu e com ela deu-se em definitivo o início da derrocada do regime militar, causando um efeito devastador para os reticentes em deixar o poder, no processo que se iniciara em 1979 com a famigerada Lei de Anistia.

Em 30 de abril de 1981, enquanto era realizado um show comemorativo ao dia do trabalho, a maldita bomba (certamente foi esta a expressão dos planejadores do evento) foi detonada acidentalmente no colo de um capitão e de um sargento do exército, dentro de um carro, na entrada do Riocentro, no Rio de Janeiro, onde realizava um show comemorativo ao dia do trabalho (dia seguinte). O capitão e seu comparsa não tiveram tempo de colocar o artefato no local pretendido, com o fim de causar instabilidade política e jogar a culpa nos movimentos de esquerda. O que era para cair no colo da oposição, literalmente detonou no próprio colo da ditadura, revelando os métodos terroristas adotados para tentar manter no poder. Porém, o tiro saiu pela culatra. E, contraditoriamente, graças a esta tragédia a trajetória democrática tornou-se irreversível, ainda que negociada, cuja dívida pagamos até hoje, sob o respaldo de instituições atuais erigidas sob um regime democrático (?), como o Judiciário que assegurou recentemente a integralidade e validade da Lei de Anistia.


01 DE ABRIL DE 1964. Nada de mentira: Golpe! (da série: Assim se fez história e algumas estórias mais!)

A data escolhida pelos golpistas para tomarem o poder político no Brasil não foi casual. Primeiro de abril é o dia internacional da mentira e, portanto, muitos não acreditaram nas notícias do levante militar para tomada do poder político, imaginando estarem diante de uma anedota da data e que de tão escabrosa não tinha sequer o condão de enganar. Nesta quietude e indiferença, as forças antidemocráticas moviam-se rapidamente para assegurar a eficácia do golpe. Quando houve a percepção dos fatos, as ações já estavam bastante avançadas, sendo então impossíveis suas reversões.
Jango se viu acossado e sem nenhum apoio das casernas para compelir os golpistas, sendo obrigado a abandonar o posto e sair do país às pressas, como um bicho escorraçado de dentro de casa.
No mais, todos os argumentos dos usurpadores do poder para suas missões inconstitucionais eram sim frutos de tremendas mentiras, implantadas sob a peja do risco do Brasil tornar-se com Jango um país comunista: salvar a pátria em perigo, livrando-a do jugo vermelho (palavras do general Kruel, um dos coordenadores do golpe).
Para emplacar a tomada do poder, os militares contaram com o apoio das oligarquias políticas brasileiras, dos movimentos conservadores, inclusive da igreja, disseminando a paródia de que o regime comunista comia criancinhas, dos EUA e da grande mídia reacionária, afeta aos interesses coorporativos do capital.
Nunca se teve estória de 1º de abril tão bem aplicada na história como esta de 1964.


A COPA 2014 VEM AÍ! 190 milhões, pra frente Brasil….! (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

– Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção!

E assim, no auspício do regime ditatorial no ano de1970, ajunta militar que desgovernava o Brasil para longe dos direitos humanos, incitava o espírito patriótico e o orgulho do povo aproveitando o embalo e sucesso do escrete canarinho (a propósito, na delegação estava o irreverente Dada Maravilha, de habilidade bastante duvidosa, mas que só foi convocado por imposição do presidente Médici).

Na vibração de mais um mundial de futebol, podia-se, sordidamente, endurecer os rigores do regime e a repressão política. No embalo de pra frente Brasil as ordens dadas pelo poder central aos batalhões militares eram de partir com o mesmo vigor da seleção de futebol e não dar nenhuma chance para o adversário. Era marcação ferrenha e nada de jogo limpo. Ataque sistemático e organizado, com muita artilharia e boladas (melhor, “baladas”) nos adversários. A missão era vencer a qualquer custo, com todas as artimanhas inescrupulosas que nenhum jogo permite.

Nisso, aqueles que não foram computados na contagem dos 90 milhões em ação, alheios à campanha brasileira no México, sofriam os sangrentos sacrifícios nos porões da ditadura militar. Muito, mais muito pior que os adversários humilhados e surrados num jogo sujo. Mas o que são alguns, num universo de mais de 90 milhões?

Enquanto durou o entusiasmo da Copa e, sobretudo do título, poucos se preocuparam com os perseguidos pelo regime. Depois, passada à euforia, já era tarde, diversos brasileiros tinham desaparecido (desapareceram com eles) ou fugido do país (fugiram com eles); outros tantos foram torturados e mortos (morreram com eles).

Do escrete canário de 1970, que para vários apaixonados por futebol, até os dias de hoje, foi o melhor time que o mundo já viu (há controvérsias!), todos tem saudades e vivas lembranças, rememoradas constantemente com as reprises dos gols, dribles e jogadas daquela equipe que tinha Péle, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Carlos Alberto, entre outros.

Enquanto isso, vários perseguidos, desaparecidos e mortos pelo regime ditatorial foram sendo esquecidos, salvo na memória de seus familiares e amigos, cuja lembrança coletiva do tricampeonato mundial passou a ser-lhes o reavivamento de um martírio.

Às portas de uma nova copa do mundo, agora terra brasilis, o governo brasileiro, em especial a governança carioca, faz, tantos outros dengos aos organizadores, uma limpeza social em torno do estádio do Maracanã, com a instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), evocando o argumento de pacificação do Rio de Janeiro. Conduto, para o êxito (na forma concebida) destas “operações” adota táticas de guerra e cerceam direitos civis da população – superação do princípio do estado de inocência, permitindo-se revistas pessoais sem qualquer pretexto dos comunitários; invasões de residências sem ordem judicial ou em situação de flagrante; apreensão de objetos sem ordem judicial ou sequer indício de fruto de pratica criminosa (quem guarda nota fiscal ou comprovante de pagamento de bens que possui em casa?); ocupação militar das vias públicas inclusive com equipes das forças armadas e veículos de guerra; toques de recolher, etc. – que sequer em situação excepcional de Estado de Sítio se permitiria.

E nós de cá, assistindo a tudo, ao vivo, num reality show bancando pelas emissoras de televisão, aplaudindo afeito foquinhas amestradas o que se diz sucesso das “operações de ocupação”.

De copa em copa os excessos acontecem (e nos seus intervalos também). A grande diferença de agora é que estamos num regime democrático, porém de joelhos e cabeça baixa diante das exigências ditatoriais da FIFA, que mais que um Estado estrangeiro, juntamente com seus patrocinadores, já invadiu nosso território. Primeiro, impondo-nos a construção e realização de obras – a despeito do interesse público e ganhos sociais que representaram, aliás, muitas delas serão espólios abandonados, feitos elefantes brancos num cenário de miseráveis –, ditando o formato e os fornecedores, tudo  a serem realizadas com dinheiro público. Segundo – e isso está em curso no Congresso – exigindo modificações na nossa legislação, com rompendo de princípios e direitos conquistados pela sociedade brasileira.

Para estas tarefas, agora feitas de inopino, inclusive diante da proximidade do evento (e os atrasos foram propositais justamente para forçar atropelos no momento certo), governantes e parlamentares, adulados com mimos de credenciais e camarotes para os jogos, rendem-se a tudo, cedendo sem nenhuma dificuldade as exigências, tudo sob a justificativa da importância do evento para o país (importância para quem?)…mas, quem se importa.

– Cento e noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salvem os selecionados (no gramado e fora dele)!


INDEPENDÊNCIA OU MORTE! Ou seria: independentemente, morte! (Da série: Assim se fez história e algumas estórias a mais!)

O Grito do Ipiranga, 1888. Pedro Américo (Brasil 1843- 1905).

Três séculos de exploração e um legado para continuá-la:
– Independência ou morte!
O carreiro que tudo assistia, na tela de Pedro Américo, cujo nome a ninguém interessou, não teve tempo de espalhar a notícia, antes de tudo continuar sendo apoderado nas mãos daqueles de sempre.
Assim, com os invasores ficou a independência, mantendo-se as possessões e todos os bens por aqui assenhorados.
Aos invadidos, aos degredados, aos escravizados, resistentes e insurgentes ao novo domínio, a morte que ainda hoje os persegue prematuramente.


DIABOS VELHOS: Bandeirantes, os exemplos de heróis brasileiros! (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Monumento ao Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, em Goiânia, Capital de Goiás.

Tratamos os bandeirantes como heróis por suas bravuras e destemor por terem embrenhando o sertão brasileiro, povoando e disseminando o progresso, pouco importando os custos humanos destas incursões, sobretudo ao gentio que traquilamente habitava estas paragens.

É! Não é de hoje que temos a mania de valorar as obras humanas pela valentia sangrenta, esquecendo-se que estes desbravadores formaram um verdadeiro batalhão de assassinos, assacadores, grileiros, exploradores dos nativos.

Talvez seja essa a herança cultural que nos impede de valorizar os direitos humanos.

Bartolomeu Bueno da Silva é um desses.

Apelidado pelos indígenas de Anhanguera, que em tupi-guarani significa “diabo velho”, passou para a história como o bandeirante desbravador do Brasil central (à época sertões) rumo ao oeste. Narra-se que fez render os índios sob o encanto do fogo no prato de álcool, ameaçando incendiar os rios.

O que a história não revela é que o pavor do nativo não era pelo ilusionismo (até porque o fato é mais lendário do que real), mas a diabrura que lhe rendeu o apelido deveu-se ao fogo expelido do seu bacamarte e de seu séquito, tombando cada índio que se interpunha em seu caminho ou que se negava a revelar o local das riquezas da terra, com o ouro em abundância.

Hoje, pouco ou nada se fala sobre a história destes indígenas caçados feito bichos no Brasil Central, principalmente em Goiás. Anhanguera, ao contrário, é herói brasileiro homenageado com nome de cidade, vias rodoviárias importantíssimas, redes de televisão, universidades, ruas e avenidas com  busto de valentão exposto por aí para que ninguém o esqueça.