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A EXPLORAÇÃO DA TRAGÉDIA ALHEIA COMO EXEMPLO DE SUPERAÇÃO. Num mundo de desiguais não precisamos de heróis e vítimas, mas de consciência e participação coletiva.  

No recente terremoto que atingiu o Nepal, uma equipe brasileira de reportagem que estava naquele país para outros fins – fazer uma reportagem sobre os desafios aventureiros do ser humano, que não fosse, obviamente, se submeter à situação de calamidade de uma tragédia – se vangloriou de ser a primeira equipe de reportagem estrangeira a chegar no local.

Não, a equipe não chegou ao local. Repito: por pura coincidência já estava lá por outras razões. Mas o entusiasmo do repórter foi tanto com esse fato que, nas suas aparições ao vivo nos telejornais, parecia agradecer aos céus a ocorrência do evento natural trágico justamente naquela oportunidade, como se fosse um abençoado ao qual à natureza – por suas divindades – concedeu-lhe uma exclusiva.

Se isso não bastasse, ao acompanhar o resgate milagroso de uma vítima que ficou soterrada por mais de 24 horas, e que foi retirada dos escombros toda ferida e desidratada, diz que ali houve um final feliz. Ora, ora, feliz para quem? Para o pobre do resgatado, machucado, à beira da morte que sequer podia dar-se conta do rastro de destruição ao seu redor? Ou feliz para a reportagem por mais um furo espetacular, ao expor o sofrimento alheio simplesmente pelo deleite da exclusividade (certamente imagens que foram vendidas para diversos outras mídias mundo afora)?

Passada a euforia da cobertura (afinal não se pode ficar refém de uma única tragédia. É preciso sair a caça de outras desgraças para novos “encantamentos” das equipes de reportagens e de seus produtores), com ou sem ajuda internacional aquela gente sofrida terá que, antes mesmo de cicatrizar suas feridas, juntar cacos e a duras penas tentar reconstruir ou se rearranjar naquelas ruínas, enquanto os holofotes internacionais já terão indo embora.

Corroborando esse desejo de exploração do sofrimento alheio, recentemente vi no perfil de amigo virtual um pequeno texto bastante elucidativo:

Tipo de noticia: Joãozinho anda 10km, dorme na selva atravessa um rio para chegar na escola.

O que a mídia quer que eu pense: Preciso ter a garra de Joãozinho e aceitar minha vida de merda. Se Joãozinho consegue, quem não consegue é preguiçoso.

O que eu penso: construam a p… de uma estrada e uma ponte e parem de usar Joãozinho como exemplo de vida.

Sendo ou não verdadeira essa segunda narrativa, o fato é que em ambos os casos tratam-se de modelo de reportagem que cotidianamente se vê por aí. Há um desejo de revelar heróis como personagens que superam tudo para sobreviverem ou alcançarem seus sonhos, conquanto sem nenhuma crítica em relação aos absurdos e causas dos sofrimentos (no caso do terremoto trata-se de um fato natural, porém o que não é natural é a falta de sensibilidade humana alheia para lidar com a tragédia) e abnegações porque passam referidas pessoas, que por algum motivo são mais determinadas, fortes e quem sabe até com maiores sortes.

Nada disso pode servir de exemplo senão de revelação de situações de desigualdades e da indiferença humana com aqueles que haveriam de ser iguais. As formas que as reportagens são produzidas querem simplesmente transmitir mensagens de que tudo é possível, e só depende do esforço e dedicação pessoal de cada indivíduo. Isso muito se assemelha ao clamor anunciado pelo engodo profético, criminoso e falso poder de curas de determinadas igrejas por seus ditos líderes religiosos. Com suas capacidades de persuasão e, sobretudo de enganar, por meio das homílias e dos sermões regados a exaltações, chantagens emocionais, fervor fanático, suposições, para venderem literalmente uma falsa crença, conquanto sem nenhuma garantia aos seus clientes (perdão, fiéis).

O extremo da hipocrisia nesse planeta é essa procura insana por tragédias e heróis.  É como que desejar a primeira para nela encontrar o personagem salvador da pátria ou o super-humano que consegue romper as adversidades. É preciso parar de regozijar com o sofrimento alheio e deixando de transformar em espetáculo a miséria e a tragédia. Antes, é necessário buscar entender os motivos das privações por que passam as vítimas dessas insanas ocorrências, chamando a responsabilidade de todos (poder público, setor privado, sociedade) para as causas e formas de, senão resolvê-las, amenizar o sofrimento.

Num mundo de desiguais não precisamos de heróis e vítimas, mas de consciência, reconhecimento do outro, e de participação coletiva na definição de políticas e soluções para os problemas que cada vez mais são globais. Isso deve ocorrer antes mesmo de ser detonado o estopim de uma nova tragédia.


NÃO EXISTE POR DO SOL PARA O CAPITAL ESPECULATIVO. O dinheiro virtual e improdutivo roda o mundo a plena luz do dia, sem nunca ver a noite ou trevas.  

O sol nasce para todos, mas nesse planeta globalizado somente ilumina com intensidade os agentes do capital financeiro e os grandes especuladores do mercado de capitais. Acompanhando o sistema de rotação da Terra, o dinheiro virtual, especulativo, viaja 24 horas por dia sobre a luz radiante do Sol, sempre clara (embora nem isso traga transparência a este mercado sórdido, de pura pirataria, de sangria econômica e da soberania das nações e dos destinos dos cidadãos do mundo afora), sem sofrer intempéries.

Enquanto o continente americano dorme, o dia já raiou no oriente e as bolsas de valores já estão a todo pique em Tóquio, em Pequim, para depois seguir com o sol para Moscou, Frankfurt, Paris, Londres, até atravessar com o astro rei o oceano Atlântico e alcançar Nova York, em seguida Chicago e novamente deixar a América rumo a Tóquio.

Nenhum papel moeda sai dos bancos. Tudo é virtual e espelhado em mega-números a lotar os painéis das bolsas de valores e dos sistemas informatizados dos mercados financeiros. Nesse troca-troca de algarismos, a curva negativa somente se acentua aos que menos têm, e o dinheiro de fato some dos cofres dos países não centrais, sobretudo do Sul onde a miséria e o subdesenvolvimento é a tona, por conta da continuada colonização e imperialismo capitalista, cada vez mais voraz com a globalização.

E nesse ciclo vicioso o capital financeiro vai rodando o mundo a plena luz do dia, sem nunca ver a noite ou trevas. Nem mesmo quando o tempo se mostra tempestuoso, como se fora o fim desse carrossel financeiro pronto para levar a bancarrota todo o mundo, vem o socorro público a acudir a pirataria, para não deixar a roda parar de girar, como se fosse imprescindível para mover a humanidade.

Acontece que essa roda gira como um bloco de neve que desce o escalpado da montanha, levando tudo que se vê pela frente. Avoluma-se em demasia deixando para trás o rastro da destruição e tragédia. A avalanche não encontra obstáculos. Aliás, quando mais estorvos encontrar a sua frente, mais se avolumará, engolindo-os com a fúria do furacão e fazendo-a cada vez maior.

E é assim a ciranda financeira nessa roda terrestre, movida pelo dinheiro volátil, inexistente, falso, improdutivo, mas que engorda a sanha de poucos (muito poucos), a custa de muito (muito mesmo) sacrifício de milhões e milhões de pessoas espalhadas pelo mundo que não podem de fato sentir o calor do sol.


O MEDO E SUAS ORIGENS

Tudo que representa morte lá está o medo e sua origem. Tememos o fim desde o princípio de nossa existência, o não existir. Como afirma Jean-Paul Sartre, todos os seres humanos têm medo; quem não tem medo não é normal.

Nossa consciência do medo surgiu com a perda do paraíso. Então a ira Divina apontou nossas fragilidades e revelou-nos o medo. E o primeiro pavor que nos possuiu foi Dele, do próprio Pai que se mostrou vingador ao ser desobedecido – desde então filho obedece ao pai e não se questiona – ao consumir o fruto proibido sem saber das razões de sua proibição. Nisso fomos fadados a viver neste binômio perene, entre céu e inferno, entre o bem e o mal, entre o protetor e o punidor, entre Ele e o diabo.

Com a expulsão vimo-nos no desamparo, porém despertados para o instinto animal em relação ao medo, que até a serpente já o sabia e por isso agiu ardilosa e traiçoeiramente. Além do medo instintivo aprendemos que os temores também se implantam social e culturalmente.

O medo passou a nós perseguir diariamente como um parasita encrustado em nosso corpo, removendo em nós sentimentos atávicos de sobrevivência e desejo de perpetuação, ainda que in memoriam. Do igual modo aflorou nossos preconceitos e nos mostrou a possibilidade de barreiras sociais, tudo em nome da segurança.

Longe do éden nosso instinto de sobrevivência tomou ares de pânico e rejeição. O que servia de parâmetro para precaver-nos diante de perigos reais ou iminentes, como um alarme natural constantemente ativado e pronto para situações de urgências, transfigurou num pavor perene estampado no nosso rosto fazendo-nos repudiar com veemência tudo que não se adequa aos nossos interesses, numa tentativa de espargir o mal antes que nos domine.

Com o sentimento de pânico, no intuito de afastá-lo, acabamos por afagar o medo de tal modo que em nossos refúgios morremos mais ligeiramente, justo por quando tentamos distanciar do temor supremo. Quanto mais nos esgueiramos e buscamos nos ocultar, mais somos traídos por este pavor que nos consome, enclausurados em nossos martírios.

Afinal, desde sempre fomos treinados para ter medo, de tudo e de todos  e gerações pós-gerações o medo nos fragiliza como pressas dóceis e assustadas, prontas para ser afagadas por alguém que nos ofereça proteção. Nosso imaginário infantil, aprendido na escola, e principalmente em casa nas estórias que nos foram narradas pelos avós, pais e babás é um seriado de terror. O medo implantado por nossos cuidadores eram artifícios apavorantes que serviam para nos aquietar, colocando-nos para dormir, comer, obedecer cegamente, calar, sossegar, etc, e que é incorporado para novas gerações como ferramenta pronta para assustar nossos pupilos num processo continuado de disseminação do terror.

E assim, desde tenra idade, aprendemos a conviver com vilões feito o “lobo mau”, a “mula sem cabeça”, o “bicho papão”, o “boi da cara preta” – a tentativa de ser politicamente correto, substituindo o adjetivo “preta” por “feia”, não resolve uma coisa e nem outra; não purifica o político e muito menos afasta o pavor, porque o “boi” continua malvado, querendo pegar a criança – o “capitão gancho” e o “barba azul”, as “bruxas”, os “fantasmas”, os “dráculas” e “vampiros” e toda espécie de malfeitores criados para nos amedrontar, formando em nós indivíduos inseguros, apavorados, vingativos, perseguidores e prontos para o ataque, antes de sermos devorados.

Como criar uma identidade de paz, tranquilidade e fraternidade social, se nestes enredos, onde convivem heróis e vilões, numa perpetuação infinita do conflito e medo, mantém sempre acessa a ideia de bipolaridade entre o bem e o mal, do céu e do inferno? Não há espaços nestes cenários para intermediários, ou para situações fora destes maniqueísmos, ou chances de regenerações ou mesmo degenerações. O “mal” nasceu “mal” e jamais se transforma, é só uma questão de tempo para aflorar. Pobres dos “bons” que amedrontados têm que conviver neste palco de suspense, sem ao menos saber que ao seu lado possa estar um espírito leviano e fatídico adormecido. Para não se incorrer em tais surpresas, melhor repudiar de plano, ainda que sequer haja suspeição.

Este é o legado da cultura do medo que absorvemos desde nos primeiros passos, históricos e individuais.

 

Este texto é trecho do artigo de minha autoria: O neoliberalismo não inventou o medo, mas dele se apossou como instrumento de sua mais valia. Em:SILVA, Denival e BIZZOTTO, Alexandre. Sistema Punitivo: o neoliberalismo e a cultura do medo. Goiânia: Kelps, 2012.


VII SIMPÓSIO CRÍTICO DE CIÊNCIAS PENAIS. Sistema Punitivo: o neoliberalismo e a cultura do medo.

O GEPeC – Grupo de Estudos e Pesquisas Criminais – realizará, entre os dias 30 de agosto e 01 de setembro o seu VII Simpósio Crítico de Ciências Penais
Sistema Punitivo: o neoliberalismo e a cultura do medo
. Serão palestrantes no evento Débora Regina Pastana, Gerivaldo Alves Neiva, Alexandre Matzenbacher, Antonio Tovo Loureiro, Alexandre Bizzotto, Marcelo Semer, Cecília Olliveira, Rafson Ximenes, Diogo Malan, e terão ainda como mediadores os professores Eliane Rodrigues Nunes, Marcelo Bariatto, Rosângela Magalhães e Maximiliana Queiroz Moraes.


VÊ SE DÁ PARA AVALIAR? CERTIDÃO DO OFICIAL.

A experiência na magistratura nas comarcas do interior foram-me extremamente ricas. Quando eu imaginava que está “vacinado” para toda e qualquer situação, acabava por deparar-me com uma nova mais inusitada e que jamais haveria de imaginar.

Assim, depois de certo tempo, deixei de querer antever os fatos e não me surpreender tanto com aqueles acontecimentos bastante pitorescos.
Pois bem. Numa destas ocorrências, chega-me as mãos uma carta precatória para avaliação de uma colheitadeira que havia sido penhorada a bem uns 3 anos atrás.

Aqui cabe um paretensis. A comarca onde eu estava é um município que se projetou no cenário nacional pela produção agrícola que se desenvolveu muito naqueles anos, como ainda está em ascensão. Este detalhe é importante para destacar a modernização dos equipamentos e implementos agrícolas, sendo possível encontrar pelas fazendas e em oficinas especializadas da cidade, muitos maquinários literalmente abandonados, porque já defasados ou porque seus proprietários tiveram condições de modernizar seu acervo, dispondo a seus modos daquele maquinário já antigo e que ao final acabava dando mais despesas do que rendimentos. Sem mercado de revenda ficam por ali perecendo (ou reservados para serem ofertados em caso penhora. Neste momento querem dar-lhes muito valor).

E era exatamente esta situação que se encontrava a colheitadeira penhorada e que o juízo da execução determinava fosse agora avaliada. Estava lá esquecida debaixo de uma paineira (para nós goianos, barriguda, em razão do tronco avolumado, feito barriga de grávida) na propriedade do devedor que figurava também como depositário. A propósito, desde quando ele próprio a indicou como bem para garantia da dívida já estava em situação de abandono debaixo daquela árvore.
De posse do mandado lá se foi o Oficial cumprir a diligência, avaliar o bem. Dada a riqueza de detalhes e a preciosidade das informações tenho que descrever trechos da certidão, para que o leitor compreenda o inusitado da situação:

“Certifico que no dia 03/03/2002, por volta das 14h45, estive na fazenda do Sr. Aribaldo Coutinho, para o fim de cumprir a Carta Precatória expedida pelo juízo cível da Comarca de Ourinhos-SP, para avaliação de uma colheitadeira, penhorada a mais de 3 anos, como passo a descrever:
– Trata-se de uma colheitadeira da marca Massey Fergson, ano 1985 (informação do devedor), de cor original vermelha, mas bastante gasta e já parecendo bege. Tem capim alto ao seu redor, mas dá para notar que está sem as rodas. Não dá para ver o estado do tubo dianteiro que corta a lavoura, mas a sinceridade do devedor revelou que deve não servir mais, porque aquilo deve estar tudo enferrujado. Na traseira, nota-se que a parte superior tem um grande amassado e que de acordo com o devedor foi em razão de um galho da árvore que caiu atingido por um raio. De fato dá para perceber que a árvore perdeu um galho e ao que se indica, grande. Do lado direito, que é por onde o operador entra, não dá para notar se tem escada de acesso à cabine e o banco do operador está roído…”.

Já estava em tempo de chamar o Oficial para corrigir aquela certidão, porque apesar de fazer um longo relatório, ao que tudo indicava rodava à distância do bem avaliado sem trazer a tona elementos tais mais importantes e precisos para a avaliação. Por que não se aproximou e conferiu com mais rigor os detalhes? Por sorte dele (e minha) a escrivã estava ao meu lado e quando fiz este questionamento, dando a entender que o chamaria para correção, ela me intercedeu.

– Espera doutor, o senhor não leu até o final!

Voltei então à leitura da certidão que ultrapassava uma página.
E vai, e vai, descrevendo detalhes aparentemente sem importância. Para se ter uma ideia, em determinado momento descreve: …que, conforme o devedor/depositário, o capim que tomou conta da máquina era para ter sido roçado ou queimado, mas não teve coragem… (?).

Finalmente encontrei o ponto fundamental da certidão e que esclarecia os motivos da preocupação com estas minudências aparentemente sem relevância:

“…Certifico, por fim, que estes detalhes descritos foi o que consegui observar e ouvir do devedor, já que não pode me aproximar mais porque na parte interna do teto da cabine da colheitadeira, tem uma caixa de marimbondo do tamanho de uma caçamba de pampa. E é dos marimbondos pretos, dos grandes, e que só de balançar o capim perto da máquina ficam todos alvoroçados do lado de fora, inclusive o devedor disse-me que volta e meia alguém desprevenido, quando passa por ali, leva uma ferrada que dá até íngua. Cheguei a discutir com o devedor da possibilidade da gente queimar aquela caixa, mas ele resistiu a idia e me convenceu dizendo que era o depositário e poderia se complicar, porque o fogo iria danificar o bem.”

Depois de tais esclarecimentos, restou-me devolver a Carta Precatória sem avaliação, porque aquela máquina, mesmo se fosse oferecida a alguém, pagando-se bem, certamente não encontraria interessado em carregá-la dali.


REFLEXÕES. Do mundo ao avesso.

  • O gari diariamente limpa as ruas da cidade. Não de toda a cidade, porque quando volta para casa, situada nas regiões longínquas do centro, sem nenhuma visibilidade e reclamos que possam ser ouvidos pelas autoridades, encontra ruas empoeiradas, dejetos e esgotos a escorrem a céu aberto em valas sulcadas pela enxurrada, e a imundice de tanto lixo espalhado.
  • A baba não foi trabalhar, porque seu filho ardia em febre. Como não tinha como comunicar à patroa, o filho desta senhora ficou sem seu passeio matinal, enquanto a mãe perdeu seu horário na academia. Falha imperdoável que deve resultar em sanção adequada: demissão.
  • A cozinheira prepara o almoço regado a saborosas guloseimas. Dele não desfruta. Não que os padrões não permitam. É que sua consciência não concebe que se alimente enquanto tem dúvidas se em casa seus filhos, esquecidos forçadamente, estarão se alimentando.
  • O policial, mal remunerado, sobe o morro durante o dia fardado e de arma em punho. Ao final do seu turno de trabalho, esconde seus apetrechos de guerra e, quase secretamente, sobe novamente o morro para o descanso merecido em casa. Com a remuneração que tem, não há como morar noutra localidade. Para completar seu salário, alguns vão fazer uns bicos de segurança privada, por vezes para grandes contraventores.
  • O trânsito flui como a densidade do magma do vulcão: lento, quente, perigoso e a qualquer pretexto, incendiário. Enquanto isso a indústria automobilística, os agentes financeiros, o modelo de crescimento econômico desenhado pela globalização, continua a expelir veículos, créditos que individam ainda mais a já famigerada classe média, como o vulcão enfurecido a despejar lava, incontidamente.

O QUE SERIA DO WORLD TRADE CENTER SEM O CRIME? (da série: O que seria do crime, de A a Z.)

LETRA W

  • O que seria do World Trade Center sem o crime?
  • Ainda estaria de pé, sendo o centro das atenções do mundo capitalismo, onde as bravatas, negociatas, extorsões do dinheiro público e particular, definições de quando e onde seriam implodidas as novas crises econômicas, as novas guerras e a exploração das populações já miseráveis, estariam sendo discutidas e decididas. Com sua queda, apenas houve mudança de endereço destas velhas tarefas.
                                                                                                                                                                                                                                                   Denival.