PROMESSAS, PROMESSAS, PROMESSAS… Deveriam nos prometer que não nos farão mais promessas!

Os políticos de nosso tempo apreenderam a lidar com promessas (ou seria desde sempre?!). Em grande medida somos culpados por isso, porque queremos vê-los prometerem. Já pensaram num candidato no horário eleitoral sem fazer promessas? Indagaríamos logo: A que veio? O que pretende afinal?

Assim, diante da necessidade de prometerem – até porque os adversários o farão – quando candidatos, então, haja promessas!

Prometem aos eleitores uma lista de propostas – sem constituir exatamente em programas ou projetos políticos – sem nenhuma contextualização, evidência de sucesso e, sobretudo de viabilidade. Prometem sem ao menos saberem do que se trata exatamente o prometido; como incrementarão as propostas; se existem condições institucionais, legais e políticas para suas implementações; se, para o cargo aos quais concorrem, terão condições ao menos de levarem avante as promessas, porque geralmente não passam pela esfera de competência do posto a ser assumido.

Ainda que haja uma sinceridade nas promessas, ou mesmo que seja fruto de ingenuidades, o certo é que nenhum eleito consegue cumprir suas promessas com o eleitor. O jogo político é mais denso que a vontade de um, ainda que esse um seja o eleito Presidente da República. O nosso sistema político consagra o pluripartidarismo, mas ao mesmo permite as anacrônicas coligações, propiciando espúrias alianças de legendas “aparentemente” sem nenhuma identidade, e que até então rivalizavam em extremos distintos, e que agora se ligam exclusivamente movidos pela sede de poder. Eleitos, somente se associarem a outros eleitos – e não basta um ou outro, mas a maioria – é que terão alguma “chance de tentar” cumprirem uma pauta de “promessas” que ainda terá que ser comum. Nisso muitas das promessas individuais terão que ser glosadas por não serem coincidentes com dos outros promitentes.

Prometem à justiça eleitoral no ato do pedido de registro de suas candidaturas que irão atender as regras desse processo, assumindo compromissos (em razão da disposição legal) de que farão campanhas limpas e dentro daquilo que lhes são permitidos pela legislação. No fundo, poucos, pouquíssimos, sabem o que de fato poderão ou não promover e fazer durante o processo eleitoral. Outros, mesmo sabendo dos limites apostam na sorte, na leveza de eventuais sanções e que não interferirão no resultado de suas convictas eleições, ou  mesmo na certeza de que não sofrerão quaisquer punições futuras. Não sem razão um grande número de candidatos – eleitos ou não – tem e continuará a ter dificuldade nas prestações de contas ou responderá a processos por irregularidades durante a campanha eleitoral.

Prometem aos seus colaboradores e cabos eleitorais empregos e outros auxílios futuros, se eleitos. É com essa convicção que os apaniguados abraçam a causa com fervor, sendo, por vezes, mais entusiasmos que os próprios candidatos. Por esse motivo existem ainda tantos cargos comissionados na administração pública (aqueles admitidos no serviço público sem se sujeitarem a concurso público, contando com o beneplácito de nomeação por livre indicação do administrador público), em todos os poderes e esferas, para alojamento dos apadrinhados, e que para isso se mantém o nepotismo cruzado (- Empregue os meus que eu emprego os teus!), forma burlesca de ocultar esse terrível vício no serviço público.

Prometem, por fim, aos seus santos de devoção sacrifícios pífios, como se o martírio humano fosse forma de pagamento a uma santidade que compactuassem com falcatruas. Deus que me livre desse santo! Isso não é promessa a santo. É pacto com o diabo! Depois, e ainda assim, nem ao santo pagam a dívida. Mais demoníaco que isso não há!

Esse, infelizmente, ainda é o modelo político eleitoral que conhecemos e exigimos. Os candidatos deliciam porque na ausência de ideias e planos factíveis deitam verborragias demagógicas para nos iludir. E cola, tanto que alguns são eleitos!

Somos, repito, em grande medida culpados por isso, porque queremos vê-los prometerem.

Deveríamos pedir aos candidatos não promessas, ou melhor, que prometessem a não prometerem. Talvez assim pudéssemos ouvir ideias e saber o que pensam das coisas verdadeiramente políticas e de interesses não de grupos ou de simpatizantes, mas de temas que envolvam toda a coletividade.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

Uma resposta para “PROMESSAS, PROMESSAS, PROMESSAS… Deveriam nos prometer que não nos farão mais promessas!

  • Fernando Araujo Farias

    Habitada, quase absolutamente por ignaros, que desconhecem os mais básicos princípios de cidadania, nos deparamos com o ABSURDO. Depois dos escândalos do MENSALÃO & Cia., agora nos chega o monstruoso PETROLÃO. Pulverizaram nossa maior empresa comercial, e, tal “exemplo” se prestou pra alavancar a candidatura de Dilma. QUE PAÍS É ESTE???