NÃO EXISTE POR DO SOL PARA O CAPITAL ESPECULATIVO. O dinheiro virtual e improdutivo roda o mundo a plena luz do dia, sem nunca ver a noite ou trevas.  

O sol nasce para todos, mas nesse planeta globalizado somente ilumina com intensidade os agentes do capital financeiro e os grandes especuladores do mercado de capitais. Acompanhando o sistema de rotação da Terra, o dinheiro virtual, especulativo, viaja 24 horas por dia sobre a luz radiante do Sol, sempre clara (embora nem isso traga transparência a este mercado sórdido, de pura pirataria, de sangria econômica e da soberania das nações e dos destinos dos cidadãos do mundo afora), sem sofrer intempéries.

Enquanto o continente americano dorme, o dia já raiou no oriente e as bolsas de valores já estão a todo pique em Tóquio, em Pequim, para depois seguir com o sol para Moscou, Frankfurt, Paris, Londres, até atravessar com o astro rei o oceano Atlântico e alcançar Nova York, em seguida Chicago e novamente deixar a América rumo a Tóquio.

Nenhum papel moeda sai dos bancos. Tudo é virtual e espelhado em mega-números a lotar os painéis das bolsas de valores e dos sistemas informatizados dos mercados financeiros. Nesse troca-troca de algarismos, a curva negativa somente se acentua aos que menos têm, e o dinheiro de fato some dos cofres dos países não centrais, sobretudo do Sul onde a miséria e o subdesenvolvimento é a tona, por conta da continuada colonização e imperialismo capitalista, cada vez mais voraz com a globalização.

E nesse ciclo vicioso o capital financeiro vai rodando o mundo a plena luz do dia, sem nunca ver a noite ou trevas. Nem mesmo quando o tempo se mostra tempestuoso, como se fora o fim desse carrossel financeiro pronto para levar a bancarrota todo o mundo, vem o socorro público a acudir a pirataria, para não deixar a roda parar de girar, como se fosse imprescindível para mover a humanidade.

Acontece que essa roda gira como um bloco de neve que desce o escalpado da montanha, levando tudo que se vê pela frente. Avoluma-se em demasia deixando para trás o rastro da destruição e tragédia. A avalanche não encontra obstáculos. Aliás, quando mais estorvos encontrar a sua frente, mais se avolumará, engolindo-os com a fúria do furacão e fazendo-a cada vez maior.

E é assim a ciranda financeira nessa roda terrestre, movida pelo dinheiro volátil, inexistente, falso, improdutivo, mas que engorda a sanha de poucos (muito poucos), a custa de muito (muito mesmo) sacrifício de milhões e milhões de pessoas espalhadas pelo mundo que não podem de fato sentir o calor do sol.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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