ATÉ QUE PONTO NAPOLEÃO CONTRIBUIU PARA O GERME DA CORRUPÇÃO NO BRASIL! Da colônia à copa, séculos e séculos de ilusões e assaques. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Enquanto Napoleão saqueava a Europa, D. João VI e toda a Corte portuguesa veio atracar no Brasil, fugindo de casa pela impossibilidade de resistir ao inevitável jugo do ditador francês.

Todavia a viagem foi produtiva. Com a Corte em terra brasilis desvelaram-se todas as oportunidades reais, sem licitações, Tribunais de Contas, oposição no Parlamento, imprensa livre, etc. (como se essa estrutura inibisse ações de malfeitores!).

Ah, os saqueadores portugueses, e os aqui já viventes, deliciaram com ideia porque viram a oportunidade de estarem direto à fonte para embolsarem com maior gula os tesouros brasileiros e destroçarem o patrimônio da grande colônia provedora. Era como se aqui fosse uma enorme mina abundante e inesgotável, sem peias a coibir a sanha avassaladora.
Enquanto isso o povo brasileiro vivia a ilusão de que a colônia tornara-se a cabeça do Império português, onde os larápios apoderavam de toda riqueza e subtraíam nossa fortuna e sonhos. Ilusões que se repetem até hoje, quando muitos acreditam, engrupidos por um poder midiático fantástico e patrocinado, claro, pelos piratas assacadores, de que com a Copa do Mundo 2014 seremos, ao menos durante o período de dois meses (junho e julho), o centro do planeta.

Como agora, em que nossa soberania é negada uma vez que a Corte atual aceita imposições e exigências de entidades privadas, a realeza portuguesa e seus apadrinhados, alimentou com fartas guarnições, diante de uma população miserável e famélica, ao custo do esforço e sacrifício destes últimos. Em compensação deixou plantada a burocracia (ou falta dela quando os interesses das vilanias são obstaculizados), a fanfarrice dos nobres, e o culto de que o Brasil é a terra do futebol (- …É, mas no Brasil colonial não tinha sequer o futebol? – Serve carnaval? – Também não tinha! – Mas agora tem ambos. De qualquer modo, a ideia de que o Brasil é um país radiante, pacífico, e vive uma extrema alegria, ou que compraz com qualquer outra coisa que não seja exatamente séria.)

Conta-se, inclusive, que a corrupção, endêmica por estas paragens, foi instalada naquele momento. De fato, em Pindorama não se falava em corrupção!
A proximidade da Corte e de toda nobreza portuguesa, propiciou a voracidade de uma grande corja de aliciadores e aliciados, para vender, servir, produzir, a custos continentais, os caprichos do Paço Real e de outros palácios imperiais no Brasil.

Com a derrota de Napoleão a Corte e seus piratas retornaram a Portugal, com suas burras (que de asininos apenas a força para suportar tanto peso) entupidas. Não por esquecimento, mas por vontade, deixaram no Brasil não só o germe da corrupção como muitos filhotes de corruptos e corruptores, altivos, sadios e prontos para reproduzir por gerações. O que de fato fizeram muito bem.

De festas em festas, de epopeias e eventos, de ilusões e engodos, de promessas e demagogias, de assaques e achincalhes, de tudo que deixa a população à mercê dos louros de um país gigante pela própria natureza, seguiu a nossa história.

E como na história tudo passa, salvo os malefícios endêmicos, passou a Coroa portuguesa. A copa passará. O legado são as pendências financeiras e os impactos sociais. Alguns (talvez se possa contar), nativos ou não, e que se postam nos holofotes para as imagens complacentes ao deleite da grande massa arrefecida, saíram (e sairão) muito mais ricos, com ares ainda de que terão contribuído para o desenvolvimento econômico do país.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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