DESASTRES NATURAIS. Ou seriam desastres humanos pré-anunciados

 

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Onde não há secas, há dilúvios. Ano após ano, multiplicam-se as inundações, os furacões, os ciclones e os terremotos que não se acabam nunca. São chamados de desastres naturais, como se a natureza fosse autora e não sua vítima. Desastres mata-mundos, desastres mata-pobres.

Eduardo Galeano. Espelhos: uma história quase universal

Por que nos desastres naturais os pobres sofrem as piores consequências, e são justamente os que menos contribuem para as contrarreações as intervenções humanas no meio ambiente?

Será que a natureza também tem aversão à miséria?

Ou é a miséria, fruto da ganância humana que subjugam alguns os condenando a viverem nas encostas não urbanizadas, nas beiras de rios poluídos, nos sopés dos vulcões, nas áreas áridas, e em qualquer outro canto inóspito ao qual o direito de propriedade não interessa, e quando acontece um fenômeno (i)natural, porque resultado da intervenções humanas, esta escória vai a reboque?

Ou seriam tragédias necessárias para o sensacionalismo midiático e a demagogia de políticos. Uns vilipendiando a dor e sofrimento das vítimas, extraindo delas forçadamente seus últimos suspiros; outros anunciando soluções e altas somas de dinheiro público e que depois se perde na burocracia e corrupção, até que a próxima tragédia aconteça. Todos explorando as desgraças alheias, sem ao menos suscitarem as reais razões para tais acontecimentos.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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