01 DE ABRIL DE 1964. Nada de mentira: Golpe! (da série: Assim se fez história e algumas estórias mais!)

A data escolhida pelos golpistas para tomarem o poder político no Brasil não foi casual. Primeiro de abril é o dia internacional da mentira e, portanto, muitos não acreditaram nas notícias do levante militar para tomada do poder político, imaginando estarem diante de uma anedota da data e que de tão escabrosa não tinha sequer o condão de enganar. Nesta quietude e indiferença, as forças antidemocráticas moviam-se rapidamente para assegurar a eficácia do golpe. Quando houve a percepção dos fatos, as ações já estavam bastante avançadas, sendo então impossíveis suas reversões.
Jango se viu acossado e sem nenhum apoio das casernas para compelir os golpistas, sendo obrigado a abandonar o posto e sair do país às pressas, como um bicho escorraçado de dentro de casa.
No mais, todos os argumentos dos usurpadores do poder para suas missões inconstitucionais eram sim frutos de tremendas mentiras, implantadas sob a peja do risco do Brasil tornar-se com Jango um país comunista: salvar a pátria em perigo, livrando-a do jugo vermelho (palavras do general Kruel, um dos coordenadores do golpe).
Para emplacar a tomada do poder, os militares contaram com o apoio das oligarquias políticas brasileiras, dos movimentos conservadores, inclusive da igreja, disseminando a paródia de que o regime comunista comia criancinhas, dos EUA e da grande mídia reacionária, afeta aos interesses coorporativos do capital.
Nunca se teve estória de 1º de abril tão bem aplicada na história como esta de 1964.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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