DIVERTICULITE (*). A doença que mais matou nestes últimos 27 anos no Brasil. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Nos últimos 27 anos a diverticulite foi a doença que mais matou e sacrificou a população brasileira, embora não esteja registrada nos anais de epidemiologia e não faça parte de nenhuma política especial de saúde pública. Por causa dela nosso sonho de plena democracia ficou soterrado, porque nos tirou a expectativa de uma liderança política que pudesse suplantar em definitivo posturas antidemocráticas. Talvez tudo não passasse mesmo de sonhos, mas se interrompemos os sonhos, fica mais difícil enfrentar a realidade.

A doença tem tratamento e é de fácil diagnóstico, porém nestes últimos anos tem levado com suas vítimas a esperança do povo brasileiro de um verdadeiramente Estado Democrático. O presidente Tancredo Neves foi sua vítima mor e em razão de sua morte, fez alastrar a doença antidemocrática como verdadeira epidemia deste então.

Misterioso, não?

Não, não há mistério! Há segredos!

Depois da frustração com a rejeição da Emenda Constitucional Dante de Oliveira, com a proposta de eleições direitas para presidente já no pleito de 1984, obtendo amplo apoio popular como o movimento Diretas-Já, o povo brasileiro teve como prêmio de consolação a vitória do presidente Tancredo Neves – óbvio, depois de ampla aliança – no Congresso Nacional, sendo o primeiro civil escolhido a ocupar o Planalto depois de 20 anos.

Mas o sonho durou pouco. Um dia antes de sua posse o presidente eleito foi internado às pressas (14/03/1985), não mais saindo do leito até o anúncio de sua morte no dia 21/04/1985 (seria mera coincidência ter ocorrido justamente no dia de Tiradentes, também um mineiro como o presidente?). Não existem coincidências nestes fatos históricos, mas montagem para comover e demover o sentimento de revolta.

Lembro-me que ao ouvir o porta voz da presidência, o jornalista Antônio Brito (que depois virou político e nunca mais se deu tanta importância a porta voz), por volta das 22h, em plantão que interrompeu o programa dominical do Fantástico, meu pai levantou-se da cama atordoado e chorou. Foi a única vez que o vi em prantos. Assim como ele, pessoa simples e de poucos estudos, o povo brasileiro chorou, sobretudo porque carregava naquele homem a esperança do início de uma nova narrativa da história brasileira.

Eu, menino crescido, também chorei junto sem entender muito das coisas da política, mas com o sentimento comum de perda irreparável.

Desde então, e em compensação à submersão de boa parte dos nossos sonhos, instalaram-se no poder  (melhor, não arredaram) os mentores e filhos da ditadura, para continuar as diabranças e assegurar uma “transição democrática sem traumas” (óbvio, para os que detiveram o poder e seus abusos durante o regime militar, tanto que não se permitem romper temas antigos, inclusive resistindo bravamente à necessidade de expor à verdade neste e em tantos outros episódios históricos).

A única verdade latente é que algumas crias e integrantes do período da ditadura não arredam o pé e resistem ao tempo feito Matusalém, com postos de comando e tudo. Não é simples se livrar daqueles que sempre sugaram o poder. São feitos musgos que não despregam. Estão aí, aliados àqueles que um dia foram seus oponentes ferrenhos e que hoje convivem de caras lavadas e de braços dados.

Ao que parece, a diverticulite fez (fazia/faz) parte deste processo (infindável) de transição democrática, porque continua matando a míngua boa parcela da população brasileira, não pela enfermidade em si, mas por seus efeitos colaterais, com a sonegação dos direitos fundamentais, diante de posturas não democráticas que quem detém o poder.

(*) Diverticulite é uma inflamação dos divertículos presentes no intestino grosso. 95% dos diverticulos encontram-se no cólon sigmoide.

Os divertículos são saculações que surgem na parede do intestino grosso no decorrer da vida, devido principalmente a pressão exercida pelo conteúdo intestinal contra esta parede. Quando há a obstrução de algum divertículo por fezes ou alimentos não digeridos, inicia-se um processo inflamatório no divertículo, que em seguida evolui para um processo infeccioso, o que se denomina diverticulite.

O quadro clínico se caracteriza por dor abdominal, alteração do hábito intestinal e febre. Nos quadros mais severos pode ocorrer a obstrução intestinal ou até mesmo a perfuração do divertículo. Os casos mais brandos podem ser tratados de forma clínica, ou seja, com antibióticos, orientação alimentar e analgésicos. Nos casos mais severos, o tratamento cirúrgico pode ser a melhor opção.

Outra complicação bastante frequente é a hemorragia intestinal provocada por um divertículo sangrante. Esses casos são em sua maioria autolimitados, alguns requerem tratamento com vasopressores esplâncnicos e os mais severos podem ir à cirurgia. Recomenda-se localizar o ponto exato do sangramento antes de submeter o paciente ao procedimento cirúrgico. Isso pode ser feito por meio de arteriografia seletiva dos vasos mesentéricos ou por cintilografia com hemácias marcadas (mais sensível).

A doença ficou famosa no Brasil depois de ter supostamente matado o presidente eleito Tancredo Neves na década de 1980.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Diverticulite. Pesquisa em 23/03/2012.


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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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