DIÁLOGOS COM THEMIS. Quanto temor!

Mote

Constituição Federal: Art. 3º, I.

Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

Construir uma sociedade livre, justa e solidária.

Diálogos com Themis

Themis, o que temes, em tempos de tamanho destemor?

– Temo a arrogância que aporta o coração dos que ascendem ao poder.

– Temo a perda da virtude, como a cupidez de estribilho.

– Temo o falso encanto, pura ilusão que entorpece corações vazios.

– Temo o engodo, quimeras a abrasar o espírito desprovido.

– Temo a epopeia de discursos inflamados com seus sons distorcidos.

– Temo a fraqueza dos fracos e a valentia dos fortes a sucumbi-los.

– Temo a algazarra da fama, lantejoulas que se apagam na falta de luz.

– Temo a ausência de contrapesos nos pratos da balança que sustento.

– Temo o afoito, o incauto, o antiético, o desleal, e o de coração duro.

– Temo a ignorância daqueles que podiam, mas não querem dela se livrar.

– Temo o silêncio de quem tem muito a dizer, mas não tem como soltar a voz.

– Temo a miséria que é desvelada aos olhos dos homens, mas encoberta aos seus sentimentos.

– Temo a alegria de quem se ilude com pouco, porque vive do nada que se tem.

– Temo a avareza e o desperdício, e tudo que se poderia melhor aproveitar.

– Temo a mim, de olhos por outros vedados e que há muito quero enxergar.

 

Do Livro: SILVA, Denival Francisco da. Poemas iniciais em forma de contestação. Goiânia: KELPS, 2010. P. 44.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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