DIABOS VELHOS: Bandeirantes, os exemplos de heróis brasileiros! (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Monumento ao Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, em Goiânia, Capital de Goiás.

Tratamos os bandeirantes como heróis por suas bravuras e destemor por terem embrenhando o sertão brasileiro, povoando e disseminando o progresso, pouco importando os custos humanos destas incursões, sobretudo ao gentio que traquilamente habitava estas paragens.

É! Não é de hoje que temos a mania de valorar as obras humanas pela valentia sangrenta, esquecendo-se que estes desbravadores formaram um verdadeiro batalhão de assassinos, assacadores, grileiros, exploradores dos nativos.

Talvez seja essa a herança cultural que nos impede de valorizar os direitos humanos.

Bartolomeu Bueno da Silva é um desses.

Apelidado pelos indígenas de Anhanguera, que em tupi-guarani significa “diabo velho”, passou para a história como o bandeirante desbravador do Brasil central (à época sertões) rumo ao oeste. Narra-se que fez render os índios sob o encanto do fogo no prato de álcool, ameaçando incendiar os rios.

O que a história não revela é que o pavor do nativo não era pelo ilusionismo (até porque o fato é mais lendário do que real), mas a diabrura que lhe rendeu o apelido deveu-se ao fogo expelido do seu bacamarte e de seu séquito, tombando cada índio que se interpunha em seu caminho ou que se negava a revelar o local das riquezas da terra, com o ouro em abundância.

Hoje, pouco ou nada se fala sobre a história destes indígenas caçados feito bichos no Brasil Central, principalmente em Goiás. Anhanguera, ao contrário, é herói brasileiro homenageado com nome de cidade, vias rodoviárias importantíssimas, redes de televisão, universidades, ruas e avenidas com  busto de valentão exposto por aí para que ninguém o esqueça.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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