EUA, A ONI(U/PRE)POTÊNCIA: O modelo democrático espalhado mundo afora baseado exclusivamente no atendimento de seus próprios interesses.

EUA cortam repasse de recursos à Unesco após reconhecimento do Estado Palestino
Órgão que fomenta educação, ciência e cultura perde US$ 60 milhões só em novembro
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta segunda-feira (31/10) que cancelará o envio de recursos para a Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) depois de o órgão ter admitido a entrada do Estado Palestino como membro pleno. […]
Fonte: Publicado em 03/11/2011 por bobbiobrasil

A pouco menos de um mês dos EUA ter conseguido barrar a pretensão Palestina de ingressar como Estado membro da ONU, se viram agora em situação quase isolada, inclusive com votos favoráveis de velhos parceiros europeus, como a França, ao ter que assistir a aceitação desta nação como membro integrante da Unesco.
Nada mais justo. A Unesco é o organismo internacional voltado para a educação. A nação palestina, sem um status real e merecido de nação soberana e autônoma, sofre de diversas mazelas, inclusive quanto a questão educacional e que requer atenção da comunidade internacional. A integração da Palestina à Unesco é o início de sua participação neste cenário global, com reconhecimento e possibilidade de obter o apoio necessário para suas políticas educacionais e de interação mundial.
Porém, não é assim que quer o EUA e muito menos Israel, eterno aliado. Preferem subjugar o povo palestino, mantendo distante do reconhecimento efetivo da comunidade internacional e fora dos palcos de discussão dos interesses globais. Na verdade, o desejo é manter a nação palestina sempre como objeto de suas decisões, nunca participante de um processo de integração.
A exigência de entendimento prévio de um processo de paz, para só depois permitir a participação Palestina nos organismos internacionais é, a rigor, negado pelo próprio EUA e Israel que se dizem proponentes desta composição, conquanto nos moldes que acolham seus exclusivos interesses. Não existirá paz sem reconhecimento, sem autonomia, sem direito a voz e voto, sem soberania e acolhimento, sem permitir o equilíbrio das ações políticas e a aceitação das diferenças.
Qual a solução então para barrar a vontade da maioria esmagadora dos países integrantes da Unesco? Utilizar da prática rotineira da prepotência e controle pela contenção de recursos. Não ignorar a decisão, mas afrontá-la do modo mais vil possível: como maior financiador da Unesco, os EUA simplesmente anunciam o corte de repasse a este organismo internacional, como que inviabilizando ou restringindo suas ações. Na mesma trilha – embora com menor repercussão, dado ao valor montante – Israel também declara que não mais repassará recursos.
Belo exemplo democrático, que querem ditar o EUA mundo afora, e maior exemplo de proposição de um processo de paz. Na verdade, organismos como Unesco e ONU, para os EUA só servem se atenderem à risca seus interesses, tudo na base de sua ONIpotência e sua Unesconvicção.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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