VOCABULÁRIO DE POLÍTICA INTERNACIONAL. O mundo ao avesso.

Vocabulário de política internacional.

Intervenção militar = invasão pelos EUA e seus aliados (mundo afora) em outra nação soberana, sem declaração de guerra.

Proteção da população civil = argumento para bombardeio de alvos aleatórios pelos aliados, diante de interesses econômicos e geopolíticos, utilizando-se de aviões teleguiados para não colocar em risco seus pilotos, conquanto sem nenhum receio ou pudor em sacrificar e eliminar a própria população civil que se diz proteger.

Dano colateral ou erro trágico = matança de inocentes, mas, na perspectiva dos invasores, efeitos inevitáveis no processo de democratização (?!?!?).

Aliados = conjunção de nações com os mesmos interesses, unidas com suas forças militares para invadir um “inimigo” infinitamente mais frágil.

Processo de paz = subjugação e coação da nação invadida às condições impostas pelos invasores.

Ações antipatriotas = notícias reais (entenda-se, não distorciadas ou construídas), produzidas por agências e repórteres independentes de nacionalidades dos invasores, sobre os motivos e razões da invasão e suas consequências, porém contrárias aos interesses dos invasores.

Processo de democratização = inserção forçada do modelo político ocidental em desrespeito a autonomia dos povos e suas diversidades, a despeito das truculências que praticam e do modus que se é imposto.

Zona de exclusão = faixa aérea definida como proibida pelo EUA e países da OTAN, com o aval da ONU, dentro do próprio país invadido, para vôos de suas aeronaves de defesa, donde os aliados voam tranquilamente para atingir alvos nas zonas não proibidas.

Artefatos de destruição em massa = expressão de forte impacto político e popular que teve como fim criar o clima necessário para invasão militar do Iraque pelos EUA e aliados, também sob o aval da ONU.

Ameaça à população civil = falsas razões, assim como “artefatos de destruição em massa”, para invasão. Esta população de ameaçada passou a ser bombardeada, porque o invasor não selecionada alvo.

Sanção econômica = forma antiga, porém atual, de matar de fome a população dos países que não seguem a cartilha ditada pelos EUA e seus asseclas. Os comandantes dos regimes totalitários, que a medida imposta diz combater, têm suas despensas cheias e podem, quando bem quiserem, buscar alimentos e seus objetos de desejo em qualquer parte do globo, bastando que paguem. Ao final, a sanção econômica é forma simples de tirar de quem já não tem.

Invocação da necessidade de defesa dos direitos humanos nos países invadidos = melhor forma de justificar as invasões e intervenções políticas, cujo fim dos invasores é simplesmente satisfazer seus interesses econômicos, sobretudo quando em perigo a produção e fornecimento de petróleo.

Parceiro comercial dos EUA = aquele que disponibiliza o produto de que precisa os EUA, nas condições por ele impostas como comprador, e que adquire os produtos que produz os EUA, nas condições agora impostas como vendedor, de modo sempre a gerar uma balança comercial favorável. Pouco importa o regime político e as condições da população civil. Isso é problema interno e que não pode ser tratada externamente, sob pena de ofensa a soberania nacional, até que estes interesses econômicos favoráveis aos americanos sejam atingidos.
* se não fosse a avalanche de revoltas aos regimes totalitários do oriente médio, e que em muito foram útil às ditas democracias ocidentais (entenda-se EUA e países europeus), seus ditadores ainda estariam sendo fotografados ao lados dos líderes do ocidente como Obama, Ângela Merkel, Sarkozy, Sapateiro, etc., e a Síria com seu assento garantido no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Rebeldes = nome dado aos militantes e combatentes de regimes autoritários, enquanto não tomam o poder (porque podem não conseguir e então não ficaria bem readmitir o ditador sem repudiar os seus desafetos); caso consigam a tomada do poder, perdem o codinome e são aclamados como revolucionários e heróis contra o regime deposto.
 * O que é rebelde?
 * Como serão chamados depois da queda de Kadafi?
 * Existirá um governo de rebeldes, sem intervenção de sua escolha?

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

2 respostas para “VOCABULÁRIO DE POLÍTICA INTERNACIONAL. O mundo ao avesso.