MÃOS AMARRADAS. A vítima torturada até a morte; a viúva na luta interminável por justiça, até a própria morte. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Ataram as mãos e pés de Manoel Raimundo Soares, ex-sargento do Exército e militante do MR-26 (movimento revolucionário contrário ao regime militar), junto às costas e o lançaram no rio Jacuí no Rio Grande do Sul, onde o corpo foi encontrado boiando em estado de putrefação e sinais de tortura, após quase 6 (seis) meses desaparecido, depois de ter sido preso por dois militares da Polícia do Exército em Porto Alegre.

Em 1973 Sra. Elizabeth Challup Soares (viúva) ingressou com ação de reparação de danos morais e materiais em face da União.

Somente em 11/12/2000 (vinte e sete anos depois) saiu a sentença de 1º Grau condenando a ré a pagar uma pensão mensal vitalícia à autora da ação no valor correspondente a um soldo de 2º sargento do Exército, regressiva à 13 de agosto de 1966.

Acreditem, a União recorreu!
Ainda que o regime democrático de agora tenha vindo contrapor o regime de exceçãode antes, do tempo dos fatos!

Em 05/10/2005 saiu a decisãode 2º Grau.

Pasmem! Novo recurso da União.

Em junho de 2009, aos 72 anos, a viúva faleceu sem conhecer o desfecho final da ação.

Depois de tanta luta morreu também de mãos atadas sem ver a indenização e a reparação moral.

Fonte: SAFATLE, Vladimir e TELES, Edson (org.). O que resta da ditadura: a exceção
brasileira. São Paulo: Boitempo, 2010. p. 273/275

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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