DIA DO FICO (versão atual). Mas parece que tudo tende a não continuar como dantes! (da série: Assim se fez história e algumas estórias mais!)

Por um acaso (para não dizer por obra de alguns descontentes delatores e certamente, não propriamente por princípios éticos), a mortalidade do posto político de ministros e de seus assessores nunca esteve tão em alta como no atual governo. O que aparentemente, numa ligeira análise, ou para aqueles que desejam o fracasso desta gestão, pode significar fraqueza da então Presidenta Dilma, ao meu ver revela o contrário, a possibilidade de se fazer política de modo diferente, com firmeza e responsabilidade no trato da coisa pública, como aliás deve ser.
O fato é que, embora em nenhuma destas mortes súbitas o processo de degola tenha partido do Planalto, ao menos a Presidenta não se postou de modo leniente diante dos casos noticiados de corrupção e mau uso dos cargos públicos. Não saiu em defesa incontida de seus mais próximos ministros então defenestrados, e apenas manteve, no início, mitigado apoio em nome da dúvida (não exatamente da presunção de inocência, até porque se trata de um processo político, donde o princípio da moralidade é mandamento a ser seguido).
É certo que no caso do Jobim a queda já era pré-anunciada, desde a posse da Presidenta, que teve que engoli-lo, no primeiro instante, como ajuste na composição do governo. Mas foi sábia o bastante para que ele mesmo fosse agonizando com sua própria arrogância. Quanto mais tentava aparecer (ou se manter nos holofotes), mais perdia espaços e importância nas discussões centrais do governo. Sua prepotência e vaidade não suportaram isso, a ponto de iniciar com diversos ataques (fogo amigo, se é que ele tinha no governo. O único amigo que reconhecia era o Serra, no qual diz ter votado, para depois continuar ocupando o cargo de ministro no governo Dilma), até ser finalmente catapultado. E não foi sem tempo!
Mas voltando aos demais casos, o que apavora é a insistência em querer manter a sangria. Este fato sim, deveria ser objeto de ampla divulgação. Os afastados, com o sentimento de injustiçados e contando com o companheirismo de grande parte dos seus partidários, prometem vingança (!?) com ameaça de saída da base aliada e retirada de apoio aos projetos do governo, buscando assim dificultar suas ações no parlamento. Com isso, querer preservar a velha prática do toma lá, dá cá, evidenciando que não estão nem um pouco preocupados com o interesse público, porque só contribuíram com o governo se tiverem passe livre para suas safadezas, malandragens, rapinagem do dinheiro público, por meio da odiosa politicagem de barganhas e favores. Tentam colocar a Presidenta no córner exigindo-lhe tolerância com a malversação do dinheiro público e conivência com atos de corrupção.
Apesar desta postura inovadora, e mesmo sabendo exatamente os custos de sua conduta, a Presidenta parece manter-se resoluta, ainda que muitos torçam pelo fiasco total. Porém, justiça seja feita. Um grupo de Senadores, alguns inclusive não integrantes da base do governo, hipotecou apoio à forma de agir de Dilma nesta questão.
Além da personalidade de Dilma, o fato de ser a primeira mulher a presidir o país tem uma enorme relevância neste agir diferenciado. Não sei, também, se o fato de talvez não pensar ainda em ser candidata a reeleição a deixa livre destas antigas amarras de alianças espúrias.
Fora isso, a grande questão que se apresenta é se estamos diante de uma real oportunidade de inversão desta forma nojenta e inescrupulosa de fazer política, pelo fisiologismo e apropriação de postos na esfera da administração pública com o fim único de se aproveitar ilicitamente do patrimônio de todos, em detrimento das verdadeiras causas sociais e coletivas. É certo que não atuam sozinhos. Com eles estão as sanguessugas que sempre se aproximam dos ocupantes do poder com mimos, com distribuição de propinas, com oferta de recursos para campanhas, com propostas de entrega de comissões em paraísos fiscais, em contrapartida a subfaturamento de obras, fraudes em licitações, e outras tantas formas de desvios de dinheiro público por canais sempre inovadores, de modo a ludibriar os órgãos e agentes de investigação.
Ainda que queiram ficar – e sempre haverá quem insiste em ficar, fazendo chantagens e tentando boicotar a governabilidade – é preciso removê-los de vez, e pensar a administração pública como deve ser, a busca do bem estar coletivo.

Anúncios

Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

Os comentários estão desativados.