HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA. Ainda restará tempo, antes que a história finde?

O imposto global
O amor que passa, a vida que pesa, a morte que pisa.
Há dores inevitáveis, e é assim mesmo, e não tem jeito.
Mas autoridades planetárias acrescentam dor à dor, e ainda por cima nos cobram por esse favor.
Em dinheiro pagamos, a cada dia, o imposto do valor agregado.
Em infelicidade pagamos, a cada dia, o imposto da dor agregada.
A dor agregada se disfarça de fatalidade do destino, como se fossem a mesma coisa a angústia que nasce da fugacidade da vida e a angústia que nasce da fugacidade do emprego.
Eduardo Galeano. Espelhos: uma história quase universal.

A história é pródiga de misérias, destruições, subjugações, desmandos, explorações, sofrimento. Deveríamos apreender com os erros e com a dor, e assim sermos mais compreensivos e compassivos. Teríamos que distribuir conhecimento, riqueza, amor, e todos os valores que o ente humano necessita para viver com dignidade. Mas…
Quantos “senãos” ainda serão ouvidos em repúdio aos valores fundamentais, e que são essenciais para manter o ente humano vivo e com dignidade, em detrimento ao sempre possível acolhimento dos interesses econômicos de uns poucos?
Quantos muros terão ainda que serem demolidos para que todos possam enxergar o horizonte e perceber que este mundo é habitado por seres humanos iguais em dignidade?
Quantas declarações, tratados, compromissos, Constituições ainda serão redigidas até que o termo dignidade passe de mera expressão de enfeite em um texto legal para ser de fato compreendido e principalmente aplicado nas relações humanas?
Quantas guerras, quantos conflitos, quantas conspirações, quantas simulações e dissimulações, a pretexto do combate ao terror, ainda haveremos de suportar e temer até apreendamos a nos respeitar e tratar uns aos outros como autônomos e construtores do próprio destino?
Quanto desperdício, avareza, ganância assistiremos em mãos de uma minoria detentora da riqueza, enquanto milhares de desassistidos, anônimos e invisíveis, famintos, de pão, de solução, de compaixão, de compreensão, desejam e necessitam serem percebidos, acolhidos, atendidos?
Quanta intolerância haveremos ainda de tolerar, até que todos compreendam que nas desigualdades é que se encontram as semelhanças entre os seres dotados de dignidade?
Quantas catástrofes ainda presenciaremos, com consequências drásticas quase sempre aos menos favorecidos, até que possamos notar os sinais de esgotamento e de destruição da natureza?
Quantas …

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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