O DEUS TRAZIDO PELOS JESUÍTAS SERVIA À CAUSA DA PIRATARIA. Demonizando os rituais tribais, os jesuítas impuseram a crença cristã, com o fito de domesticação dos indígenas, a fim de servir aos interesses colonialistas dos portugueses (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Os jesuítas chegaram ao Brasil colonial pouco tempo depois do achamento, com um crucifixo em uma das mãos e o catecismo na outra, com o propósito único de servir à causa da monarquia expansionista portuguesa. Com jeito de quem trazia o verdadeiro Deus, demonizavam os rituais tribais e o estilo livre dos índios “pagãos”. Por isso careciam urgentemente de ser salvos do fogo do inferno, cujo roteiro somente eles sabiam, com emissários divinos.
A rigor a necessidade de “domesticar” o gentio que vivia feito animais, completamente desnudos, era para que os colonizadores pudessem apossar mansamente das riquezas desta terra, sem serem importunados. Assim, enquanto os jesuítas ministravam a “catequização”, os brancos, com suas amplas vestes européias, com suas barbas imundas, apoderavam-se das provisões indígenas. Nisso incluía as índias desnudas, prontas para ser acoitadas.
De espelhinhos, machadinhas, lencinhos, e todo tipo de futilidade de um mundo consumista em que já vivia na Europa, fez-se o escambo de madeira, ouro e outras pedras preciosas, aves, e tudo que essa terra tinha para ser pirateado.
Enquanto isso, aos religiosos da irmandade dos jesuítas, cabia exterminar a cultura e a crença indígena, fazendo-os crerem num Deus cristão e humano, nunca antes imaginado. Os índios acreditavam no Deus Sol, no Deus da Chuva e da Tempestade, no Deus da Caça, no Deus das Luas e de todos os deuses que lhes davam uma natureza prodigiosa, de onde extraiam suas necessidades sem agredir o meio ambiente onde viviam. No Deus que via e percebia suas ações, sem importuná-los, na mesma medida que não era incomodado.
O Deus que os jesuítas impuseram não representava nada disso. Era um Deus castigador, vingativo e não perdoava erros.
Somente com um Deus desses se poderia permitir que os portugueses apossassem dos bens aqui encontrados sem serem importunados pelo gentio.

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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