UMA VELA AO NAZISMO, OUTRA AO ANTINAZISMO. Uma perda inestimável; uma aliança política conveniente. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)

Embora distante do epicentro dos conflitos da II Guerra Mundial, centrados na Europa, Getúlio Vargas nutria simpatias tanto pelo nazismo como pelo fascismo de Mussolini da Itália, a ponto de buscar inspiração dos seus projetos de leis nos editos fascistas.  Exemplo disso é o Código de Processo Penal em vigor até os dias atuais (pleno século XXI, ano de 2011).

Olga Benário, judia, grávida, esposa de Luís Carlos Prestes, um comunista convicto e figura exponencial da esquerda brasileira, oposição dura e sistemática à ditadura getulista. Atendendo pedido do regime nazista, com o qual simpatizava, Getúlio mandou prender e extraditar Olga Benário para Alemanha. Mantida num campo de concentração, deu a luz a uma filha que foi entregue a avó materna. Então, nada mais restava. Foi executada em 1942.

Sentindo ruir o regime nazista, o governo de Getúlio (o mesmo que havia entregue Olga Benário aos nazistas), manda um batalhão expedicionário para combater no norte da Itália, assumindo uma posição política com os aliados, a mando dos EUA.

Terminada a II Guerra, e já no início da década de 1950, Luís Carlos Prestes, viúvo de Olga Benário e líder da esquerda brasileira, sobe no mesmo palanque de Getúlio Vargas (aquele que havia mandando a esposa de Prestes para os campos de concentração nazista e onde foi executada), para retomada do poder pela via do voto.

Já diziam outras raposas velhas que em política não se tem inimigos, mas adversários. Será que a regra vale também quando o “adversário” mata nossos entes queridos?

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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