O MEDO E O MAL! (inspirado em Medo Líquido de Zygmunt Bauman)

Mote:

Constituição Federal: Art. 6º, caput, 6ª parte

São direitos sociais […] a segurança.

 

Zygmunt Bauman. Medo Líquido

O medo e o mal são irmãos siameses. Não se pode encontrar um deles separado do outro. Ou talvez sejam apenas dois nomes de uma só experiência – um deles se referindo ao que se vê e ouve, o outro ao que se sente. Um apontando para o “lá fora”, para o mundo, o outro para o “aqui dentro”, para você mesmo. O que tememos é o mal; o que é o mal, nós tememos.

O medo e o mal

Nesta con(m)fusão cobra-se dos juízes

o trabalho sujo da limpeza social.

Dá-lhe status, privilégios, ascensão.

Entrega-lhe a balança e o martelo,

Concede-lhe o poder de julgar e decidir

para depois vendar-lhe os olhos.

Em troca acende-lhe a chama do ódio

e cria em seu coração iguais pavores.

Sua missão: afastar-nos dos impuros

na ingênua ilusão de que o mal

se apaga num mundo de segregados.

(Do livro: Poemas Iniciais em Forma de Contestação. Denival Francisco da Silva. Editora Kelps. Goiânia-GO, 2010)

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Sobre denivalfrancisco

Meu nome é Denival Francisco da Silva. Formado em direito pela PUC-GO e mestrado em direito pela UFPE. Juiz de direito e professor universitário. Poeta e cronista, às vezes. A angústia em conviver com tantas distorções sociais, indiferenças, injustiças, ofensas aos direitos fundamentais, desprezo ao semelhante, e tantas outras formas de indignidade, exige de todo aquele que se incomoda, um lugar de fala. E que bom será se esta fala puder ressoar e se abrir mundo afora. A internet propicia isso, e os blogs têm sido ferramentas extraordinárias para a verdadeira liberdade de expressão, onde cada um coloca em discussão seus temas prediletos. Não inovarei em nada. Com toda certeza outros o fazem melhor. E não ouso afirmar que minha fala, lançada neste espaço cibernético, vá percorrer fronteiras e atrair simpatizantes. Não tenho este poder e jamais esta pretensão. Quero mais a liberdade de expressão e a consciência bastante para enxergar, mesmo no obscurantismo, para não me aquietar diante de farsas. O título do blog – sedições – enseja de início a contraposição. Não significa, porém, que haja uma necessidade simples de divergir, de contrariar, de opor. Sedições, misturando suas letras, dá também decisões que aqui se propõe invertidas ao modo que se vê correntemente. O que pretendo é, não mais, desaguar as palavras que alvoroçam em mim, em burburinhos loucos para serem ouvidos, como quem vê, pensa, reflete e necessita replicar suas críticas e percepções. Espero que os visitantes compartilhem comigo críticas e discussões sobre política, sociedade, direitos humanos, justiça e um pouco de prosa e poemas. Sejam bem-vindos! Ver todos os artigos de denivalfrancisco

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