A data escolhida pelos golpistas para tomarem o poder político no Brasil não foi casual. Primeiro de abril é o dia internacional da mentira e, portanto, muitos não acreditaram nas notícias do levante militar para tomada do poder político, imaginando estarem diante de uma anedota da data e que de tão escabrosa não tinha sequer o condão de enganar. Nesta quietude e indiferença, as forças antidemocráticas moviam-se rapidamente para assegurar a eficácia do golpe. Quando houve a percepção dos fatos, as ações já estavam bastante avançadas, sendo então impossíveis suas reversões.
Jango se viu acossado e sem nenhum apoio das casernas para compelir os golpistas, sendo obrigado a abandonar o posto e sair do país às pressas, como um bicho escorraçado de dentro de casa.
No mais, todos os argumentos dos usurpadores do poder para suas missões inconstitucionais eram sim frutos de tremendas mentiras, implantadas sob a peja do risco do Brasil tornar-se com Jango um país comunista: salvar a pátria em perigo, livrando-a do jugo vermelho (palavras do general Kruel, um dos coordenadores do golpe).
Para emplacar a tomada do poder, os militares contaram com o apoio das oligarquias políticas brasileiras, dos movimentos conservadores, inclusive da igreja, disseminando a paródia de que o regime comunista comia criancinhas, dos EUA e da grande mídia reacionária, afeta aos interesses coorporativos do capital.
Nunca se teve estória de 1º de abril tão bem aplicada na história como esta de 1964.
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01 DE ABRIL DE 1964. Nada de mentira: Golpe! (da série: Assim se fez história e algumas estórias mais!)
DIVERTICULITE (*). A doença que mais matou nestes últimos 27 anos no Brasil. (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)
Nos últimos 27 anos a diverticulite foi a doença que mais matou e sacrificou a população brasileira, embora não esteja registrada nos anais de epidemiologia e não faça parte de nenhuma política especial de saúde pública. Por causa dela nosso sonho de plena democracia ficou soterrado, porque nos tirou a expectativa de uma liderança política que pudesse suplantar em definitivo posturas antidemocráticas. Talvez tudo não passasse mesmo de sonhos, mas se interrompemos os sonhos, fica mais difícil enfrentar a realidade.
A doença tem tratamento e é de fácil diagnóstico, porém nestes últimos anos tem levado com suas vítimas a esperança do povo brasileiro de um verdadeiramente Estado Democrático. O presidente Tancredo Neves foi sua vítima mor e em razão de sua morte, fez alastrar a doença antidemocrática como verdadeira epidemia deste então.
Misterioso, não?
Não, não há mistério! Há segredos!
Depois da frustração com a rejeição da Emenda Constitucional Dante de Oliveira, com a proposta de eleições direitas para presidente já no pleito de 1984, obtendo amplo apoio popular como o movimento Diretas-Já, o povo brasileiro teve como prêmio de consolação a vitória do presidente Tancredo Neves – óbvio, depois de ampla aliança – no Congresso Nacional, sendo o primeiro civil escolhido a ocupar o Planalto depois de 20 anos.
Mas o sonho durou pouco. Um dia antes de sua posse o presidente eleito foi internado às pressas (14/03/1985), não mais saindo do leito até o anúncio de sua morte no dia 21/04/1985 (seria mera coincidência ter ocorrido justamente no dia de Tiradentes, também um mineiro como o presidente?). Não existem coincidências nestes fatos históricos, mas montagem para comover e demover o sentimento de revolta.
Lembro-me que ao ouvir o porta voz da presidência, o jornalista Antônio Brito (que depois virou político e nunca mais se deu tanta importância a porta voz), por volta das 22h, em plantão que interrompeu o programa dominical do Fantástico, meu pai levantou-se da cama atordoado e chorou. Foi a única vez que o vi em prantos. Assim como ele, pessoa simples e de poucos estudos, o povo brasileiro chorou, sobretudo porque carregava naquele homem a esperança do início de uma nova narrativa da história brasileira.
Eu, menino crescido, também chorei junto sem entender muito das coisas da política, mas com o sentimento comum de perda irreparável.
Desde então, e em compensação à submersão de boa parte dos nossos sonhos, instalaram-se no poder (melhor, não arredaram) os mentores e filhos da ditadura, para continuar as diabranças e assegurar uma “transição democrática sem traumas” (óbvio, para os que detiveram o poder e seus abusos durante o regime militar, tanto que não se permitem romper temas antigos, inclusive resistindo bravamente à necessidade de expor à verdade neste e em tantos outros episódios históricos).
A única verdade latente é que algumas crias e integrantes do período da ditadura não arredam o pé e resistem ao tempo feito Matusalém, com postos de comando e tudo. Não é simples se livrar daqueles que sempre sugaram o poder. São feitos musgos que não despregam. Estão aí, aliados àqueles que um dia foram seus oponentes ferrenhos e que hoje convivem de caras lavadas e de braços dados.
Ao que parece, a diverticulite fez (fazia/faz) parte deste processo (infindável) de transição democrática, porque continua matando a míngua boa parcela da população brasileira, não pela enfermidade em si, mas por seus efeitos colaterais, com a sonegação dos direitos fundamentais, diante de posturas não democráticas que quem detém o poder.
(*) Diverticulite é uma inflamação dos divertículos presentes no intestino grosso. 95% dos diverticulos encontram-se no cólon sigmoide.
Os divertículos são saculações que surgem na parede do intestino grosso no decorrer da vida, devido principalmente a pressão exercida pelo conteúdo intestinal contra esta parede. Quando há a obstrução de algum divertículo por fezes ou alimentos não digeridos, inicia-se um processo inflamatório no divertículo, que em seguida evolui para um processo infeccioso, o que se denomina diverticulite.
O quadro clínico se caracteriza por dor abdominal, alteração do hábito intestinal e febre. Nos quadros mais severos pode ocorrer a obstrução intestinal ou até mesmo a perfuração do divertículo. Os casos mais brandos podem ser tratados de forma clínica, ou seja, com antibióticos, orientação alimentar e analgésicos. Nos casos mais severos, o tratamento cirúrgico pode ser a melhor opção.
Outra complicação bastante frequente é a hemorragia intestinal provocada por um divertículo sangrante. Esses casos são em sua maioria autolimitados, alguns requerem tratamento com vasopressores esplâncnicos e os mais severos podem ir à cirurgia. Recomenda-se localizar o ponto exato do sangramento antes de submeter o paciente ao procedimento cirúrgico. Isso pode ser feito por meio de arteriografia seletiva dos vasos mesentéricos ou por cintilografia com hemácias marcadas (mais sensível).
A doença ficou famosa no Brasil depois de ter supostamente matado o presidente eleito Tancredo Neves na década de 1980.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Diverticulite. Pesquisa em 23/03/2012.
A COPA 2014 VEM AÍ! 190 milhões, pra frente Brasil….! (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)
- Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção!
E assim, no auspício do regime ditatorial no ano de1970, ajunta militar que desgovernava o Brasil para longe dos direitos humanos, incitava o espírito patriótico e o orgulho do povo aproveitando o embalo e sucesso do escrete canarinho (a propósito, na delegação estava o irreverente Dada Maravilha, de habilidade bastante duvidosa, mas que só foi convocado por imposição do presidente Médici).
Na vibração de mais um mundial de futebol, podia-se, sordidamente, endurecer os rigores do regime e a repressão política. No embalo de pra frente Brasil as ordens dadas pelo poder central aos batalhões militares eram de partir com o mesmo vigor da seleção de futebol e não dar nenhuma chance para o adversário. Era marcação ferrenha e nada de jogo limpo. Ataque sistemático e organizado, com muita artilharia e boladas (melhor, “baladas”) nos adversários. A missão era vencer a qualquer custo, com todas as artimanhas inescrupulosas que nenhum jogo permite.
Nisso, aqueles que não foram computados na contagem dos 90 milhões em ação, alheios à campanha brasileira no México, sofriam os sangrentos sacrifícios nos porões da ditadura militar. Muito, mais muito pior que os adversários humilhados e surrados num jogo sujo. Mas o que são alguns, num universo de mais de 90 milhões?
Enquanto durou o entusiasmo da Copa e, sobretudo do título, poucos se preocuparam com os perseguidos pelo regime. Depois, passada à euforia, já era tarde, diversos brasileiros tinham desaparecido (desapareceram com eles) ou fugido do país (fugiram com eles); outros tantos foram torturados e mortos (morreram com eles).
Do escrete canário de 1970, que para vários apaixonados por futebol, até os dias de hoje, foi o melhor time que o mundo já viu (há controvérsias!), todos tem saudades e vivas lembranças, rememoradas constantemente com as reprises dos gols, dribles e jogadas daquela equipe que tinha Péle, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Carlos Alberto, entre outros.
Enquanto isso, vários perseguidos, desaparecidos e mortos pelo regime ditatorial foram sendo esquecidos, salvo na memória de seus familiares e amigos, cuja lembrança coletiva do tricampeonato mundial passou a ser-lhes o reavivamento de um martírio.
Às portas de uma nova copa do mundo, agora terra brasilis, o governo brasileiro, em especial a governança carioca, faz, tantos outros dengos aos organizadores, uma limpeza social em torno do estádio do Maracanã, com a instalação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), evocando o argumento de pacificação do Rio de Janeiro. Conduto, para o êxito (na forma concebida) destas “operações” adota táticas de guerra e cerceam direitos civis da população – superação do princípio do estado de inocência, permitindo-se revistas pessoais sem qualquer pretexto dos comunitários; invasões de residências sem ordem judicial ou em situação de flagrante; apreensão de objetos sem ordem judicial ou sequer indício de fruto de pratica criminosa (quem guarda nota fiscal ou comprovante de pagamento de bens que possui em casa?); ocupação militar das vias públicas inclusive com equipes das forças armadas e veículos de guerra; toques de recolher, etc. – que sequer em situação excepcional de Estado de Sítio se permitiria.
E nós de cá, assistindo a tudo, ao vivo, num reality show bancando pelas emissoras de televisão, aplaudindo afeito foquinhas amestradas o que se diz sucesso das “operações de ocupação”.
De copa em copa os excessos acontecem (e nos seus intervalos também). A grande diferença de agora é que estamos num regime democrático, porém de joelhos e cabeça baixa diante das exigências ditatoriais da FIFA, que mais que um Estado estrangeiro, juntamente com seus patrocinadores, já invadiu nosso território. Primeiro, impondo-nos a construção e realização de obras – a despeito do interesse público e ganhos sociais que representaram, aliás, muitas delas serão espólios abandonados, feitos elefantes brancos num cenário de miseráveis –, ditando o formato e os fornecedores, tudo a serem realizadas com dinheiro público. Segundo – e isso está em curso no Congresso – exigindo modificações na nossa legislação, com rompendo de princípios e direitos conquistados pela sociedade brasileira.
Para estas tarefas, agora feitas de inopino, inclusive diante da proximidade do evento (e os atrasos foram propositais justamente para forçar atropelos no momento certo), governantes e parlamentares, adulados com mimos de credenciais e camarotes para os jogos, rendem-se a tudo, cedendo sem nenhuma dificuldade as exigências, tudo sob a justificativa da importância do evento para o país (importância para quem?)…mas, quem se importa.
- Cento e noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salvem os selecionados (no gramado e fora dele)!
INDEPENDÊNCIA OU MORTE! Ou seria: independentemente, morte! (Da série: Assim se fez história e algumas estórias a mais!)
Três séculos de exploração e um legado para continuá-la:
- Independência ou morte!
O carreiro que tudo assistia, na tela de Pedro Américo, cujo nome a ninguém interessou, não teve tempo de espalhar a notícia, antes de tudo continuar sendo apoderado nas mãos daqueles de sempre.
Assim, com os invasores ficou a independência, mantendo-se as possessões e todos os bens por aqui assenhorados.
Aos invadidos, aos degredados, aos escravizados, resistentes e insurgentes ao novo domínio, a morte que ainda hoje os persegue prematuramente.
DIABOS VELHOS: Bandeirantes, os exemplos de heróis brasileiros! (da série: Assim se fez a história e algumas estórias mais!)
Tratamos os bandeirantes como heróis por suas bravuras e destemor por terem embrenhando o sertão brasileiro, povoando e disseminando o progresso, pouco importando os custos humanos destas incursões, sobretudo ao gentio que traquilamente habitava estas paragens.
É! Não é de hoje que temos a mania de valorar as obras humanas pela valentia sangrenta, esquecendo-se que estes desbravadores formaram um verdadeiro batalhão de assassinos, assacadores, grileiros, exploradores dos nativos.
Talvez seja essa a herança cultural que nos impede de valorizar os direitos humanos.
Bartolomeu Bueno da Silva é um desses.
Apelidado pelos indígenas de Anhanguera, que em tupi-guarani significa “diabo velho”, passou para a história como o bandeirante desbravador do Brasil central (à época sertões) rumo ao oeste. Narra-se que fez render os índios sob o encanto do fogo no prato de álcool, ameaçando incendiar os rios.
O que a história não revela é que o pavor do nativo não era pelo ilusionismo (até porque o fato é mais lendário do que real), mas a diabrura que lhe rendeu o apelido deveu-se ao fogo expelido do seu bacamarte e de seu séquito, tombando cada índio que se interpunha em seu caminho ou que se negava a revelar o local das riquezas da terra, com o ouro em abundância.
Hoje, pouco ou nada se fala sobre a história destes indígenas caçados feito bichos no Brasil Central, principalmente em Goiás. Anhanguera, ao contrário, é herói brasileiro homenageado com nome de cidade, vias rodoviárias importantíssimas, redes de televisão, universidades, ruas e avenidas com busto de valentão exposto por aí para que ninguém o esqueça.

